O quarto principal da packhouse do ShadowBlood nunca pareceu tão vasto e, ao mesmo tempo, tão claustrofóbico. Lucretia observava Rhys caminhar pelo ambiente, tocando nos móveis de carvalho e nas cortinas de veludo pesado com uma curiosidade melancólica. Ele era o dono de tudo aquilo, o Alfa soberano de um império, mas movia-se como um hóspede que teme quebrar algo valioso.
— Você reconhece alguma coisa, Rhys? — Lucretia perguntou, sentada na beirada da cama, observando-o.
Rhys parou diante de um grande espelho de moldura dourada e encarou seu próprio reflexo: a barba por fazer, o rosto mais anguloso, as cicatrizes que Harold ajudou a limpar.
— O cheiro de pinho e couro... eu sinto que deveria significar algo. Mas é como se eu estivesse olhando para a vida de um estranho. Um estranho que vivia cercado de muros e regras. — Ele virou-se para ela, o olhar mais doce que Lucretia já vira. — Na caverna, com os meninos, ou na cabana de Harold, tudo era mais... real.
Lucretia levantou-se e caminhou até ele, envolvendo-lhe a cintura com os braços.
— Aqui você é o Alfa, Rhys. Um pouco cabeça dura, é verdade. — Os dois riram um de leve. — Você protege centenas de vidas. Harold e Macy estão seguros agora por causa do poder que você exerce, mesmo sem se lembrar dele.
Rhys virou-se nos braços dela e beijou-lhe a testa. O toque despertou as faíscas que Lucretia tanto amava, mas uma sombra cruzou o rosto do Alfa.
— E aquele Alfa, o McCormack? Ele não sai da minha mente. Não pelo que ele é, mas pelo que ele diz ser seu.
— Esqueça o Elijah por hoje, Rhys. Ele está confuso, e eu também estou. Mas nada muda o que eu sinto por você.


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