Ivânia não disse mais nada, virando-se novamente para a janela.
A paisagem lá fora entrava em seus olhos, mas, por algum motivo, tornava-se embaçada e indistinta.
O carro finalmente parou do lado de fora do pátio da mansão da família Torres.
Jefferson e Ivânia desceram do carro, um após o outro.
Jefferson, com as costas retas, encostou-se na porta do carro, acendendo um cigarro com o olhar baixo e frio.
— Eu espero por você aqui. Mantenha o celular ligado.
— Certo. — Ivânia assentiu e caminhou rapidamente para dentro da mansão.
Naquele momento, na sala de estar, a família de cinco pessoas estava reunida, em uma atmosfera calorosa e harmoniosa.
Ivânia era como uma intrusa abrupta, quebrando visivelmente a harmonia.
— Você voltou das filmagens há tanto tempo e nem sequer veio nos ver. Sabe o quanto mamãe e papai sentem sua falta?! — Hugo olhou para Ivânia, suas palavras iniciais já sendo uma acusação.
— Essa ingrata insensível, não tem pais nem família em seu coração. — Sérgio também olhou friamente para Ivânia.
— Chega, chega. Você já começa a brigar assim que a filha chega. Não pode falar com ela de um jeito mais gentil? — Yasmin se levantou sorrindo, pegou a mão de Ivânia e disse: — Vamos comer primeiro, pedi à empregada para preparar seus pratos favoritos.
— O que eu gosto de comer? — Ivânia puxou a mão da de Yasmin e perguntou com um sorriso frio.
Yasmin ficou sem palavras por um momento.
— Se não me engano, o prato principal de hoje à noite também é frutos do mar. Você se lembra que Graciele gosta de frutos do mar, mas não se lembra que sou alérgica a peixe e camarão.
Ivânia disse, zombeteira.
O sorriso no rosto de Yasmin tornou-se constrangido.
— Sempre pensei que você não era exigente, que gostava de tudo. Minha filha, por que você não disse que era alérgica a frutos do mar?
Ela não havia dito?
Ivana havia dito inúmeras vezes que era alérgica a frutos do mar.
Mas Yasmin nunca deu importância, ainda colocando camarão em sua tigela para mostrar afeto maternal.
O clima na mesa de jantar não estava muito bom.

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