Ivânia não disse mais nada, apenas olhou pela janela.
Seu olhar perdido e sem foco a fez ver, em um transe, o Jefferson de dezoito anos caminhando em sua direção com um sorriso.
Ele disse: "Ivânia, a música que acabei de tocar se chama 'Sonho de Amor'."
Ele também disse: "De agora em diante, tocarei essa música apenas para você."
O rapaz de dezoito anos era como um álamo verde e imponente, amando com uma paixão avassaladora.
Naquela época, quando ela abandonou a academia de polícia para aceitar a missão, ninguém a compreendeu ou apoiou.
Nem mesmo seus pais.
Apenas Jefferson esteve sempre ao seu lado, incondicionalmente.
Assim como na adolescência rebelde, ele pulava o muro da escola com ela, brigava, jogava videogame, a acompanhava em suas loucuras.
Quando eram pegos pelos pais, ele assumia toda a culpa, e mesmo depois de apanhar, dizia a ela com um sorriso: "Não foi nada, não doeu."
Ele disse: "Ivânia, se não for policial, seja a esposa de Jefferson. Eu realizarei o seu antigo sonho por você."
Naquela época, Jefferson estudava em um conservatório de música, onde era aclamado como um gênio por seu talento extraordinário.
Ivânia achava impossível imaginar que aquelas mãos que tocavam piano também pudessem segurar uma arma.
Jefferson abandonou decididamente a oportunidade de estudar no exterior.
Como já era formado, não podia voltar para a academia de polícia, então optou por se alistar no exército, na esperança de ser transferido para a polícia.
Ele disse: "Ivânia, quando eu receber meu uniforme, serei o primeiro a vesti-lo para você."
Infelizmente, ela morreu sem nunca vê-lo de uniforme.
As memórias do passado passavam por sua mente como um filme antigo.

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