Quando Otoniel voltou para o camarim, sua testa estava franzida e não relaxou.
Graciele ainda estava deitada na cadeira, o rosto coberto de base para parecer pálido e fraco.
— Otoniel, você voltou. — Graciele se sentou fracamente, segurando a mão de Otoniel e perguntando com uma voz suave.
— Otoniel, você não brigou com a Ivana, não é? Ah... Ivana foi criada em uma família tão materialista, é compreensível que seu temperamento seja difícil. Como noivo dela, você deveria ser mais tolerante.
Otoniel permaneceu em silêncio, seu olhar fixo nela a deixou inexplicavelmente inquieta.
— Otoniel, o que foi? A Ivana te irritou de novo? Por favor, por mim, não discuta com ela, está bem?
Graciele balançou suavemente o braço de Otoniel, em um gesto de súplica.
— Graciele, de quem era o capital inicial para fundar minha empresa realmente? Por que o comprovante de transferência está com a Ivana? — Otoniel perguntou de repente.
O olhar de Graciele vacilou por um instante.
Ela não esperava que algo de tantos anos atrás fosse mencionado novamente.
— Otoniel, você sabe, quando o Sr. Serpa teve problemas, meus pais, com medo de se envolverem, me proibiram de ter contato com você. Eu vendi minhas bolsas e joias em segredo para juntar um milhão e quinhentos mil. Com medo que meus pais descobrissem, pedi à Ivana que transferisse o dinheiro para você. Não imaginava que ela tomaria para si o crédito pelo meu gesto de carinho.
Os olhos de Graciele estavam vermelhos como os de um coelho, e ela chorava baixinho.
Ela se esforçou para se levantar e caminhar em direção à porta.
— Vou confrontar a Ivana, como ela pôde fazer isso comigo! — No entanto, após dar apenas dois passos, ela cambaleou e caiu no chão.
— Graciele! — Otoniel, em pânico, a levantou do chão.
Graciele se apoiou em seus braços, chorando ainda mais forte.
— Otoniel, crescemos juntos, temos tantos anos de história. Você não acredita em mim?
Otoniel ficou perturbado com seu choro e a consolou com uma voz suave.
— Não chore, eu não duvidei de você.
— Otoniel, basta que você acredite em mim. Se a Ivana diz que o comprovante de transferência é dela, então que seja. — Graciele disse, com um ar de quem se sacrifica.
Otoniel franziu a testa.
— Mas ela quer me processar.
— O quê? — Graciele aumentou o tom de voz, sua voz aguda não revelava fraqueza alguma.
— O comprovante de transferência original está com a Ivana, e ela está usando isso como ameaça para exigir 10% das ações da minha empresa. — Otoniel disse com voz grave. — Desta vez não vou ceder. Vou contratar um advogado e reunir provas...
— Otoniel! — Graciele o interrompeu antes que pudesse terminar.
— Como a Ivana poderia te processar? Ela só está fazendo birra para chamar sua atenção. Vá acalmá-la, afinal, ela é sua noiva. Além disso, se isso se tornar um escândalo, prejudicará a reputação da sua empresa, e as famílias Serpa e Torres perderão toda a sua honra.
Otoniel permaneceu com o rosto sério por um tempo, depois suspirou.
— Se a Ivana fosse metade tão compreensiva quanto você, eu não estaria tão atormentado.
Otoniel tinha muito trabalho em sua empresa e, no dia seguinte, deixou o set e voou de volta para Santa Cruz do Sertão.
Ele não se despediu de Ivânia, sua noiva.

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