Zenobia terminou de distribuir os convites que tinha em mãos e sentiu-se um pouco cansada.
Sua saúde atual era razoável, mas, afinal, ela havia passado por uma grande cirurgia e ainda era mais frágil que uma pessoa normal.
Zenobia não tinha paciência para continuar lidando com aquelas pessoas, então saiu com sua assistente.
Assim que entrou no elevador, seu celular tocou.
Zenobia olhou para a tela do celular; era um número desconhecido.
Ela hesitou por um momento antes de atender.
— Alô...
— Zenobia. Sou eu, Henrique. Não fale nada, apenas me escute. — Do outro lado da linha, veio a voz profunda e rouca de Henrique.
Zenobia não falou, apenas segurou o celular, com os lábios finos apertados.
— Zenobia, nesta vida, talvez eu nunca mais tenha a chance de te ver. Sinto muito a sua falta, sinto falta do tempo em que estávamos juntos quando jovens... De agora em diante, nos dias em que eu não estiver, cuide-se bem. Seja feliz, viva com alegria. Zenobia, eu te amo...
A voz de Henrique estava muito embargada.
Então, o celular ficou apenas com o som de ocupado.
O rosto de maquiagem requintada de Zenobia permaneceu muito calmo.
Após terminar a chamada, ela guardou o celular na bolsa.
Ontem, seu pai já havia falado com ela sobre a fuga de Henrique.
Embora seu pai tivesse arranjado pessoas para ajudar Henrique a escapar, seria difícil para ele sair de Santa Cruz do Sertão; mais cedo ou mais tarde, ele seria pego novamente.
A razão pela qual seu pai se esforçou tanto para ajudar Henrique a escapar foi porque achava que Henrique estaria mais seguro morto lá fora do que vivo na prisão.
Sérgio era o exemplo; apenas bocas de mortos não falam besteiras.
O pai também disse: a Família Damasceno acabou, Henrique também acabou.
Disse para ela não pensar mais em Henrique; a indecisão traz problemas.
Zenobia achava que seu pai estava certo.
Em seu coração, Henrique já era um homem morto.
Enquanto isso, no salão de banquetes.

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