— Não foi nada. — Ivânia balançou a cabeça, sabendo que não fora intencional.
— O que você veio fazer na casa do Sr. Paiva? — perguntou Ivânia.
— Tenho um caso para discutir com o Tio Joaquim — respondeu Jefferson.
Quando ocorriam casos graves, as forças especiais intervinham. O trabalho de Jefferson e Joaquim ocasionalmente se cruzava. No entanto, esses não eram assuntos que Ivânia pudesse questionar, e ela, sensatamente, não perguntou mais nada.
Como havia visita em casa, Tereza instruiu a empregada a comprar mais ingredientes. Ela mesma foi para a cozinha preparar seus pratos especiais.
Ivânia ficou na cozinha ajudando. Ela não sabia cozinhar, mas conseguia lavar e descascar os legumes.
Joaquim e Jefferson conversavam sobre trabalho no escritório do andar de cima.
Quando Tereza e Ivânia terminaram de preparar o jantar e puseram a mesa, chamaram os dois para comer.
A mansão da família Paiva, geralmente habitada apenas por Joaquim e Tereza, era silenciosa e solitária. Com a animação rara daquele dia, Joaquim até abriu uma garrafa de vinho.
Ele bebeu algumas taças a mais e sua mente ficou um pouco turva. Parecia que sua filha estava viva, sentada à sua frente. A família de quatro pessoas, completa e animada.
— Lua, o Sr. Andrade me deu uns pacotes de chá de excelente qualidade outro dia, mas sua mãe usou tudo para cozinhar ovos, que desperdício. Você e o Jefferson levem o resto para casa.
Joaquim acenou para Ivânia enquanto falava.
Assim que ele terminou a frase, a atmosfera congelou instantaneamente.
Tereza foi a primeira a reagir, dando um tapa forte no braço do marido.
— Como você bebe um pouco e já começa a falar bobagem?
Joaquim pareceu perceber que havia confundido as pessoas. Com a voz embargada, ele apenas acenou com a mão.
Aquele policial veterano, um homem de ferro que não abaixava a cabeça nem sob a mira de armas, curvou os ombros naquele momento.


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