O corpo alto de Jefferson se inclinou sobre ela. Ele pretendia cobri-la com o cobertor, mas Ivânia claramente entendeu mal. Ela se encolheu instintivamente, tentando desesperadamente evitar seu toque.
Ao ver isso, Jefferson riu, mas era uma risada de irritação.
— Se eu realmente quisesse fazer algo com você, acha que conseguiria escapar?
O corpo de Ivânia ainda não havia se recuperado. Deitada na cama, impotente, ela se sentia como um peixe na tábua de cortar.
Ela virou a cabeça para olhar para Jefferson e, de repente, sentiu que o homem à sua frente se tornara um completo estranho.
— Jefferson, isso não é algo que você deveria estar fazendo.
— O que eu deveria fazer? Você me conhece bem? — Jefferson perguntou, olhando para ela.
Ivânia de repente ficou sem palavras. Uma dor surda e inexplicável surgiu em seu coração, tão intensa que ela começou a ter dificuldade para respirar novamente. As lágrimas caíram incontrolavelmente, impossíveis de parar.
— Não está se sentindo bem de novo? Devo chamar o médico? — A aura fria de Jefferson se dissipou quase instantaneamente, e seu tom suavizado carregava uma clara nota de preocupação.
— Não preciso da sua ajuda! — Ivânia gritou com ele, irritada, mas sua voz estava embargada pelo choro.
— Então não chore. — Jefferson ficou ao lado da cama, olhando para ela com os olhos semicerrados.
Os olhos úmidos de Ivânia pareciam os de um cervo assustado. Ela também o encarou, mas seu olhar não tinha força alguma.
— Já fui chamada de 'a outra', não posso nem chorar um pouco?
Jefferson ficou em silêncio por um longo tempo depois de ouvir isso. Então, ele disse:
— Pare de chorar. Eu vou resolver tudo. Não vou deixar que você carregue nenhuma culpa.
Ivânia ficou sem reação.
Do que ele estava falando? Ele sabia o que estava dizendo?
Justo quando Ivânia estava prestes a falar, a porta do quarto se abriu.

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