O carro partiu da Mansão Antiga Pacheco, acelerando velozmente em direção ao cais na zona portuária.
Daniel estava sentado no banco do passageiro, pressionando a testa de forma inconsciente. O ferimento na cintura doía por causa dos movimentos bruscos, mas ele não se importava.
Apenas ao pensar que Sófia continuava isolada naquele iate no mar, a ansiedade em seu peito transbordava de forma incontrolável.
Ele sabia melhor do que ninguém quem era Vicente.
Implacável, sem escrúpulos. Quando focava em uma presa, jamais a soltaria com facilidade.
Um barco fora explodido no cais apenas na noite passada, e hoje um parceiro de negócios importante estava a bordo. Se o inimigo elaborasse o menor dos planos, a embarcação inteira poderia se transformar num inferno na terra.
Ele virou o rosto para olhar Gregório, que estava dirigindo, e as suas sobrancelhas se juntaram ainda mais.
Para a sua surpresa, em apenas alguns minutos, a urgência quase apocalíptica no rosto de Gregório havia se dissipado consideravelmente.
Os dedos que seguravam o volante continuavam firmes, as costas estavam retas e a expressão era calma. Ele parecia ter até uma frieza controlada maior do que o normal.
Não parecia em nada com um homem cuja esposa ainda se encontrava em perigo.
O coração de Daniel deu um sobressalto, e ele murmurou em voz baixa:
"Você não está preocupado?"
Gregório mantinha os olhos na pista, com a via estendendo-se claramente diante da sua visão. A velocidade do carro era constante, sem pressa.
Ele baixou os olhos devagar, deu uma olhada para o celular com a tela apagada e deu um leve toque na borda do aparelho com a ponta dos dedos.
"Estou."
O tom dele era monótono, mas carregava a firmeza de quem compreendia tudo: "Mas ainda não é o momento de entrar em pânico."
Daniel arregalou levemente os olhos: "Como assim?"
"O Vicente pode estar observando pelas redondezas ou até... os seus homens podem estar nessa rota marítima."
A voz de Gregório estava tão baixa que apenas os dois podiam escutar: "Mas ele não vai agir agora."
O olhar de Daniel escureceu: "O que te faz ter tanta certeza?"
"O fato de eu ter investigado um passo à sua frente."
Gregório disse serenamente, cada palavra soando firme e contundente:
"Você acha que eu deixaria a Sófia embarcar sem qualquer preparação, no dia seguinte à explosão no cais e à sua perseguição? Eu averiguei detalhadamente esse carregamento, esse barco e o Elias há três dias."
"A tripulação, os garçons, o pessoal da logística e os seguranças a bordo; a grande maioria são homens infiltrados por mim."
"Ivan é apenas o disfarce evidente. Nas sombras, há mais cinco pessoas monitorando as proximidades do iate por vinte e quatro horas."
Os olhos de Daniel arregalaram-se ligeiramente.
Ele sempre soubera que Gregório era cauteloso e impecável em suas ações, mas não imaginava que chegasse a tal ponto.
"Mandei varrerem o fundo do barco, o convés, a sala de descanso, a sala de reuniões e o almoxarifado três vezes."
"Escutas, rastreadores, pontos de explosão, indivíduos suspeitos... tudo foi devidamente inspecionado e limpo."
Gregório baixou os olhos, deslizando suavemente o dedo pela borda do celular: "Lá em cima, agora, está praticamente seguro."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...