"E mais uma coisa," Daniel acrescentou, com a voz ainda mais fria. "Fique de olho na delegacia. Qualquer um que tente pagar a fiança da Gabriela, mande-os de volta. Se alguém tentar interferir, acabe com eles também."
"Entendido."
A ligação foi encerrada.
Daniel guardou o celular lentamente. Ainda nas sombras, olhou pela janela com um olhar sombrio.
O céu escureceu aos poucos e a noite cobriu lentamente toda a cidade.
Ele ainda tinha coisas a fazer.
Algo que ninguém poderia saber, e muito menos permitir que a polícia encontrasse provas.
Eram onze horas da noite, nas docas nos arredores da cidade.
A escuridão da noite era impenetrável. A brisa do mar trazia um frio cortante e a luz do farol distante piscava no escuro, iluminando as águas gélidas.
As docas estavam assustadoramente silenciosas. Apenas alguns guarda-costas vestidos de preto e com posturas rígidas vigiavam nas sombras, com expressões alertas, sem dizer uma palavra.
Um carro preto entrou silenciosamente nas docas, estacionando não muito longe de um grande navio de carga.
A porta do carro se abriu e Daniel saiu sozinho.
Ele havia trocado de roupa, vestindo um casaco corta-vento totalmente preto. Com a postura ereta, o seu rosto parecia excepcionalmente pálido e frio na escuridão.
Não havia acompanhantes extras, estava apenas ele, mas a sua presença era suficiente para dominar o silêncio de todo o cais.
Aquela carga não podia ver a luz do dia.
Se a polícia a descobrisse, não apenas ele, mas toda a Família Azevedo seria arrastada para uma ruína irreversível.
Aquilo era o submundo com o qual ele teve de se envolver nos seus primeiros anos para se estabelecer. Era também o lado que ele menos queria que Renata conhecesse e o que ele mais desejava enterrar de vez.
O plano original era transportar a carga secretamente esta noite, sem que ninguém percebesse.
Mas, ao anoitecer, ele recebeu repentinamente a notícia: a polícia havia recebido uma denúncia e estava a caminho das docas.
Não havia tempo para transferir, nem para descarregar, nem para evacuar.
A única solução era destruir tudo.
Destruição total.
Daniel ergueu o olhar para o navio de carga ancorado silenciosamente à beira do cais. Não havia emoção alguma no fundo dos seus olhos.
Ele ergueu a mão, tocou levemente no minúsculo fone de ouvido, e a sua voz soou grave e calma: "Todos já saíram?"
"Senhor, a evacuação está completa. Não restou ninguém a bordo."
"Muito bem."
Ele tirou lentamente do bolso um pequeno controle remoto preto, do tamanho de um polegar.
Havia apenas um botão vermelho nele.
Ao apertá-lo, os explosivos plantados antecipadamente no navio seriam detonados instantaneamente.
O navio inteiro, junto com tudo o que não podia ver a luz do dia a bordo, seria reduzido a cinzas em um instante, sem deixar rastros.
Foi nesse exato momento —
O som estridente das sirenes da polícia ecoou repentinamente à distância.
De longe até mais perto, o som tornou-se cada vez mais nítido, rompendo o silêncio da noite.
Eles chegaram.
A polícia chegou.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...