Ela até apresentou no local alguns dados de casos anteriores anonimizados, precisos, detalhados e persuasivos.
Os avaliadores na plateia, que inicialmente estavam descontraídos, aos poucos endireitaram as costas, anotaram atentamente e acenaram repetidamente com a cabeça.
Quem era do setor sabia assim que ouvia:
Aquela era uma pessoa que realmente havia trabalhado, que entendia da prática clínica e tinha experiência.
Não era apenas uma imagem forjada, nem teoria vazia.
Após concluir sua apresentação, Renata acenou levemente com a cabeça e desceu do palco com calma, sem olhar para Gabriela em momento algum.
O resultado não teve nenhum suspense.
Os avaliadores deram as notas e deliberaram no local. Dez minutos depois, o apresentador anunciou: "As instituições parceiras finais para este projeto: primeiro lugar, Renata, Clínica Psicológica Particular. Segundo lugar, Departamento de Psicologia do Hospital Municipal."
Não havia Gabriela.
O projeto que ela preparara com tanto cuidado e do qual tinha tanta certeza foi facilmente levado por Renata.
Gabriela sentou-se em seu lugar, com o rosto mortalmente pálido. A ponta de seus dedos agarrava a barra do vestido com tanta força que quase rasgava o tecido.
Inveja, ressentimento, humilhação, raiva, todas essas emoções surgiram de uma só vez, fazendo com que ela quase perdesse o controle.
Os olhares ao redor espetavam-na como agulhas.
Alguns sentiam pena, outros se alegravam com a desgraça alheia, outros eram indiferentes.
Ela havia perdido.
No lugar onde ela mais queria se exibir e superar Renata, ela havia perdido de forma avassaladora.
A reunião do projeto terminou e a multidão começou a sair aos poucos.
Gabriela viu Renata cercada por vários avaliadores e colegas de profissão, conversando educadamente, trocando cartões de visita, visivelmente reconhecida, e o ódio em seu coração quase rompeu seu peito.
Ela se levantou bruscamente, saiu rapidamente do salão e foi para a escadaria silenciosa. Tirou o celular e, com as mãos trêmulas, discou para o número de Daniel Azevedo.
Assim que a ligação foi atendida, ela imediatamente assumiu uma voz injustiçada, digna de pena e prestes a chorar, engasgada e frágil:
"Daniel... você poderia vir me buscar..."
"Estou com tanto medo... Hoje, na reunião do projeto, alguém me humilhou..."
"Eu fui tão injustiçada, venha logo, por favor..."
Ela abaixou a voz de propósito, chorando copiosamente. Cada palavra insinuava que:
A pessoa que a havia humilhado era Renata.
Do outro lado da linha, houve um silêncio de alguns segundos.
Em seguida, a voz grave, gélida e totalmente sem calor de Daniel ecoou:
"Quem te humilhou?"
Gabriela mordeu o lábio inferior e disse com a voz embargada:
"Foi... foi a Renata... Não bastava ela me ignorar na reunião, ela ainda roubou o meu projeto e, além disso, me olhou com desdém na frente de todos, muita gente viu... Eu realmente não aguento mais ficar aqui..."
Com cada palavra, ela jogava a culpa em cima de Renata.
Fazendo-se de vítima inocente.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...