Aquela, sim, era a sua raiz.
Aquele era o verdadeiro lugar onde Renata deveria estar.
Sem qualquer apego ao apartamento temporário, ela entrou em contato com uma transportadora de mudanças na mesma tarde e transferiu todas as suas poucas bagagens de volta para ali.
Eram poucas coisas, uma única viagem foi o suficiente, e arrumar tudo também foi rápido.
Ao cair da tarde, ela já estava deitada em sua própria cama, olhando para o teto familiar, e pela primeira vez dormiu um sono profundo e sem sonhos perturbadores.
Sem vigilância, sem insegurança, sem mágoas.
Ali era seu território, sua fortaleza, o seu ponto de segurança.
Na manhã seguinte, Renata foi acordada pelos raios de sol.
Ela se levantou para a higiene matinal e vestiu um conjunto elegante e simples de alfaiataria num tom de damasco claro —
Não estava se arrumando de forma forçada; apenas participaria de uma reunião de comissão para avaliação de um projeto médico-psicológico em nível municipal.
Ela viu na antiga agenda da clínica que já havia se inscrito neste projeto muito antes do acidente, mas tudo havia sido interromvido depois.
Agora, ela estava determinada a retomar tudo.
Tanto pela sua carreira, quanto para recuperar sua identidade profissional o mais rápido possível.
Ela aplicou uma maquiagem leve, e sua figura tornou-se instantaneamente radiante; o ar sereno e profissional em suas feições aflorou naturalmente.
Antes de sair, verificou portas e janelas por hábito. Quando se virou para ir embora, passos muito leves e controlados soaram de repente do lado de fora da porta.
O coração de Renata apertou levemente, e ela ergueu a cabeça devagar.
No final do corredor, uma figura alta e familiar estava parada silenciosamente.
Daniel.
Ele vestia roupas casuais em tons escuros, sem a presença imponente e opressora de outrora. Seu cabelo estava levemente bagunçado, com os olhos manchados por linhas avermelhadas, um claro sinal de que estava há muito tempo sem descansar adequadamente.
Ele permaneceu ali, sob a luz do sol, com o olhar denso repousando sobre ela.
Ao ver que ela realmente havia se mudado para o próprio apartamento e que estava tão bem cuidada e arrumada, ele sentiu um misto de alívio e uma dor aguda no peito.
Sem ele, ela estava, de fato, vivendo muito melhor.
A expressão de Renata se fechou no mesmo instante, a temperatura ao seu redor parecendo cair alguns graus.
Ela não disse nada, apenas o observou friamente, com um olhar distante, como se estivesse diante de um estranho insignificante.
O pomo de adão de Daniel se moveu suavemente, ele caminhou passo a passo em direção a ela, a voz grave e rouca: "Renata."
Renata não respondeu.
"Eu sei que você está com raiva", ele assumiu uma postura inferior, praticamente abandonando qualquer traço de sua rigidez habitual. "Não fique morando fora, volte comigo, por favor?"

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...