A outra parte não estava ali para roubar homem nenhum.
A outra parte havia sido forçada a vir.
Todo o ataque dela foi como socar algodão.
Renata permaneceu com o rosto frio, sem demonstrar fraqueza, sem tentar agradar, apenas ficou parada ali, nobre, distante e com um orgulho que se recusava a baixar a cabeça mesmo quando encurralada.
"Você..." Gabriela ficou momentaneamente sem palavras, restando-lhe apenas olhar para Daniel com os olhos avermelhados. "Daniel, você ouviu? Ela mesma não quer ficar aqui. Por que você insiste em trazê-la para a nossa casa?"
Daniel franziu a testa, a voz ficando mais grave: "Ela não pode ir embora agora."
"Por que não pode?" A voz de Gabriela tremia. "Se ela vive ou morre, o que isso tem a ver conosco? Daniel, esta é a nossa casa."
Renata permaneceu ao lado, observando friamente a discussão dos dois.
Ela tinha preguiça de participar e preguiça de explicar.
Ela apenas achava ridículo.
Ela fora forçada a vir.
E a dona da casa exibia sua autoridade contra ela, mas não ousava enfrentar quem realmente a trouxera para cá.
Ela falou novamente, com um tom leve, frio e calmo:
"Vou repetir mais uma vez: não quero ficar aqui.
Se você tem capacidade, mande-me embora.
Se não tem, não venha me perturbar."
Ela era orgulhosa demais, desdenhava ser a pessoa que destrói o relacionamento alheio, mas também jamais aceitaria ser humilhada à vontade.
Sem gritos, sem escândalos, sem fraqueza, apenas com uma frase, ela expôs toda a sua firmeza.
Gabriela ficou engasgada, sem conseguir dizer uma palavra.
Ela queria explodir, queria declarar sua soberania, queria mandar Renata sumir.
Mas ela não ousava tomar a decisão de mandá-la embora.
O tom de Daniel não deixava margem para negociação. "Sair do país, nem pense nisso."
"Com que direito?" A voz de Renata elevou-se alguns tons. "Eu e você não temos mais nada há muito tempo, com que direito você interfere na minha liberdade?"
"Com o direito de que eu posso salvar a sua vida." O olhar de Daniel escureceu, o tom tornou-se gélido. "Renata, não me obrigue a usar meios mais drásticos."
A atmosfera entre os dois era tensa, prestes a explodir. Gabriela estava ao lado, vendo-os se confrontarem, sentindo-se como uma completa estranha.
Aquele homem que ela pensava pertencer apenas a ela, aquele lar que ela guardava com tanto zelo, naquele momento, tornaram-se estranhos e distantes.
Por fim, Renata acabou sendo levada pela empregada em direção à escada.
Ela não lutou mais, apenas manteve o rosto frio, caminhando extremamente devagar a cada passo, o orgulho em seus ossos não permitia que ela mostrasse qualquer sinal de derrota.
Ao passar por Gabriela, ela sequer olhou, como se a outra fosse apenas ar.
Essa indiferença feria mais do que qualquer provocação.
Daniel observou a figura de Renata desaparecer na curva da escada antes de virar a cabeça para Gabriela, que estava paralisada no lugar: "Vá descansar cedo no seu quarto, eu vou para o escritório resolver algumas coisas."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...