O carro mergulhou em silêncio novamente.
A chuva continuava a cair loucamente.
Sófia soltou um longo suspiro de alívio; a tensão em seu peito finalmente afrouxou um pouco.
Ela virou a cabeça para olhar o banco de trás.
Gregório estava sentado lá, com uma criança em cada braço. Suas costas estavam retas, mas não mais com aquela rigidez de quem estava prestes a sair correndo para lutar por sua vida.
Ele mantinha os olhos baixos, olhando para as duas crianças em seus braços, com um olhar pesado e tranquilo.
Ele não falou mais em subir a montanha, não falou em procurar aquele castelo imediatamente, não se deixou cegar novamente pelo ódio.
Gregório tinha entendido.
Ele guardou as palavras de Enzo e gravou profundamente em seu coração a informação de que "há um castelo nas profundezas da floresta".
Mas, ao mesmo tempo, ele também se lembrou—
Que agora ele não estava sozinho.
Ele não podia mais agir de forma imprudente.
A chuva estava muito forte, o céu muito perigoso, as crianças estavam ao seu lado, ela estava ao seu lado.
Por mais importante que fosse a pista, ela não era mais importante do que as pessoas ao seu redor.
Gregório ergueu lentamente os olhos e encontrou o olhar de Sófia pelo espelho retrovisor.
Seu olhar estava calmo, sem ansiedade, sem pressa, apenas com uma certeza sedimentada.
Ele falou suavemente, sua voz não era alta, mas chegou claramente aos ouvidos de Sófia:
"Pode dirigir."
"Vamos voltar para o hotel primeiro."
"Quando a chuva parar, quando tudo estiver organizado, nós voltaremos."
Sófia olhou para ele e assentiu levemente com a cabeça.
Desta vez, ele colocaria sua família em segurança primeiro, organizaria tudo e, então, passo a passo, com firmeza, iria até lá.
Sófia, pelo espelho retrovisor, observava silenciosamente aquele homem de olhar sereno segurando as crianças.
Talvez aquela tempestade que pesava sobre ele há tanto tempo estivesse, finalmente, prestes a cessar.
-
Quando o carro parou na entrada do hotel, a chuva ainda não dava sinais de parar, batendo no teto do veículo e no chão com um som contínuo e estalado.
Gregório desceu primeiro, abriu o guarda-chuva e protegeu Sófia e as duas crianças em seus braços, entrando rapidamente no saguão do hotel.
A luz amarela e quente veio ao encontro deles, e o aquecimento envolveu seus corpos encharcados, dissipando um pouco do frio trazido da floresta.
Mas, mesmo assim, Sófia ainda podia sentir uma tensão invisível envolvendo silenciosamente Gregório, algo que nunca havia se soltado verdadeiramente.
Ele ainda não havia trocado as roupas molhadas, seu cabelo pingava água e seu rosto estava pálido devido à chuva e às oscilações emocionais.
Mas aqueles olhos permaneciam em alerta máximo, como uma fera pronta para enfrentar o perigo a qualquer momento.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...