A voz de Renata estava pesada: "Lembre-se, a 'normalidade' dele é, em si, uma anormalidade."
"A doença dele não se formou da noite para o dia, foi acumulada ao longo do tempo —"
"O estresse de anos de batalhas no mundo dos negócios, a obsessão e o ódio trazidos por Vicente, os mal-entendidos e barreiras do passado, a culpa e a insegurança no fundo da alma, e ainda a frustração e ansiedade por falhar repetidamente na captura..."
"Ele nunca liberou verdadeiramente essas emoções, nunca as enfrentou de fato. Tudo foi reprimido no fundo do coração, acumulando-se dia após dia, camada sobre camada, até se tornar um fardo quase impossível de reverter."
Renata fez uma pausa, respirou fundo e continuou: "Ele se acostumou a fingir, a se controlar. Acostumou-se a esconder toda a fragilidade, toda a dor e todas as emoções negativas no fundo do coração, sob aquela casca de calma e poder."
"Ele acha que, desde que não demonstre nada, desde que mantenha a dignidade para sempre, isso é ser normal, isso é ser forte."
"Mas, na realidade, o interior dele está cheio de feridas. Suas emoções já estão desequilibradas. A calma, a serenidade e a impassibilidade que ele demonstra são manifestações patológicas, são a dormência e a repressão após um longo período de depressão e ansiedade acumuladas."
"O corpo dele, os nervos dele, as emoções dele, tudo está em estado de tensão há muito tempo. Ele mesmo não percebe isso, e até encara essa tensão e essa repressão como um estado natural de vida."
"Ele não sabe relaxar, não sabe demonstrar fraqueza, não sabe desabafar, não sabe descansar de verdade. Ele está sempre se forçando, sempre carregando tudo, sempre buscando um 'eu' perfeito e forte. Mas, se continuar assim, só vai piorar, só vai se levar ao limite extremo."
Sófia encostou-se na parede, sentindo as forças se esvaírem instantaneamente. As lágrimas finalmente não puderam ser contidas e escorreram silenciosamente por seu rosto, caindo sobre as costas de sua mão, geladas e cortantes.
Ela sempre soube que ele sofria muita pressão, sabia que ele guardava uma obstinação, sabia que ele não se conformava, que estava ansioso e inseguro.
Mas ela nunca imaginou que a doença dele tivesse se acumulado a tal ponto, que fosse tão grave assim.
Ela sempre achou que, bastava estar ao lado dele, tomar os remédios na hora certa e descansar bem, que tudo melhoraria aos poucos.
"Somente permitindo que o corpo e a mente dele relaxem de verdade, dando uma saída para as emoções dele..."
"Somente fazendo com que ele sinta o calor e a felicidade puros é que essa depressão e repressão acumuladas por tanto tempo poderão ser aliviadas e curadas aos poucos. Caso contrário, por mais remédios e tratamentos que façamos, será apenas tratar os sintomas e não a causa, e o efeito será mínimo."
As palavras de Renata foram gravadas, uma a uma, claramente no fundo do coração de Sófia.
Ela se encostou na parede, respirou fundo e tentou reprimir a amargura e o pânico em seu peito.
Ela sabia que Renata tinha razão.
O que Gregório mais precisava agora não era pressão, nem missões, nem obsessões. Era relaxamento, era companhia, era calor, era um tempo despreocupado em família com as três pessoas juntas.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...