Dito isso, ele se curvou e saiu do apartamento.
Aproveitando a escuridão da noite, caminhou em direção à Cidade Luxa.
A Cidade Luxa ficava na periferia da Cidade Floresta, longe do centro agitado. Sob a noite, o local parecia extraordinariamente sombrio.
Galpões abandonados erguiam-se à beira da estrada, com paredes cobertas de trepadeiras, e contêineres velhos estavam empilhados aleatoriamente pelo caminho.
O lugar exalava um cheiro forte de mofo e lixo. Ocasionalmente, latidos de cães vinham de dentro da comunidade, aumentando a atmosfera sinistra.
Gregório caminhava lentamente pelas sombras da estrada, com passos leves.
Seguindo a rota que estudara durante o dia, logo chegou ao acesso dos bombeiros da Cidade Luxa.
Como esperado, havia apenas dois vigias na entrada, encostados na parede fumando e conversando, sem perceber que uma figura se aproximava silenciosamente pela sombra não muito longe dali.
Gregório escondeu-se atrás de um contêiner e observou por um momento. Vendo que os dois estavam distraídos, abaixou-se, pegou uma pedra e a atirou em direção ao matagal próximo.
Ouviu-se um estrondo quando a pedra atingiu uma chapa de metal no meio do mato.
Os dois vigias ficaram imediatamente alertas, ergueram os pedaços de pau e caminharam em direção ao barulho: "Quem está aí? Apareça!"
Aproveitando o momento em que se afastaram, Gregório moveu-se como um vulto, atravessou rapidamente o acesso e entrou na Cidade Luxa sem fazer barulho.
A topografia interna da Cidade Luxa era ainda mais complexa do que ele imaginava, as vielas entrecruzadas pareciam um labirinto.
As casas de ambos os lados eram barracos simples e degradados. Luzes fracas escapavam pelas janelas e, ocasionalmente, algumas figuras caminhavam pelos becos, todos eram homens de Vicente.
Ele praguejou mentalmente e pressionou o aparelho para desligá-lo, mas já era tarde.
Um sentinela oculto ali perto ouviu o chiado e ficou alerta, gritando na direção de Gregório: "Quem está aí? Saia!"
Instantaneamente, os guardas e patrulheiros ao redor do sobrado correram na direção de Gregório, brandindo seus bastões e gritando no dialeto local, claramente chamando reforços.
Gregório sabia que havia sido exposto e que ficar ali significaria ser cercado.
Tomou uma decisão rápida, virou-se e correu disparado em direção ao acesso dos bombeiros.
Os homens atrás dele o perseguiam implacavelmente. Os bastões batiam nas paredes fazendo barulhos secos, e os gritos de ameaça ecoavam por toda parte.
Gregório era extremamente veloz. Ele ziguezagueou pelas vielas labirínticas e, confiando no terreno que acabara de memorizar, logo despistou a maioria dos perseguidores, correndo em direção à saída.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...