Do outro lado da noite.
Já era tarde.
Sófia estava sentada no sofá da sala de estar.
Gregório Pacheco ainda estava no escritório cuidando do trabalho. O som leve do teclar no computador atravessava a porta, firme e ritmado, acrescentando uma camada de tranquilidade àquela noite silenciosa.
Nesses anos de casamento, desde o reatar do relacionamento até o companheirismo constante, eles já haviam fundido a existência um do outro em cada momento trivial da vida. Mesmo fazendo coisas separadas como agora, sentiam-se seguros.
Sófia levantou o pulso para olhar o relógio; passava pouco das dez da noite.
O celular vibrou de repente na mesa de centro, a tela acendeu e uma mensagem de um número desconhecido apareceu.
Ela pegou o aparelho casualmente, deslizou o dedo para desbloquear e, no momento em que leu o conteúdo da mensagem, sua expressão suave fechou-se instantaneamente.
[Venha me encontrar, caso contrário não garanto a segurança da sua filha. Proibido chamar a polícia.]
Uma frase curta, como uma agulha gelada, cravou-se fundo em seu coração, fazendo um calafrio percorrer as costas de Sófia instantaneamente.
Clara era o tesouro dela e de Gregório.
Ela forçou-se a manter a calma. Primeiro tirou um print da mensagem e depois verificou o número do remetente; era um número virtual sem registro, impossível de rastrear.
Sem qualquer hesitação, ela enviou o print para Gregório, acompanhado de uma mensagem breve: [Temos problemas, venha rápido para a sala.]
Feito isso, Sófia largou o celular, recostou-se no sofá e respirou fundo, sua mente calculando rapidamente.
Quem seria? Quem ousaria ameaçá-la dessa maneira?
Os negócios da Família Pacheco andavam tranquilos ultimamente. O único problema recente fora Ella, que tentara tumultuar a cooperação entre a NexGen Tecnologia e a Era Próspera, além de causar confusão dentro do Grupo Pacheco, e os remanescentes de seu grupo que ainda não haviam sido limpos.
Sófia assentiu; ela suspeitava da mesma coisa.
Ella estava envolvida com muita gente, desde velhas raposas de dentro da empresa até parceiros externos que queriam tirar vantagem do Grupo Pacheco.
Agora que a árvore caíra e os macacos dispersaram, ainda havia alguns que não desistiam, tentando ameaçá-la para forçar Gregório a soltar Ella ou para exigir dinheiro pelo silêncio.
"Eles querem que eu vá encontrá-los e disseram para não chamar a polícia."
Sófia massageou as têmporas latejantes. "Enquanto não nos livrarmos dessa gente, não teremos um dia de paz. Eles se escondem no escuro, como um espinho, e nunca sabemos quando vão atacar. Desta vez é a Clara, da próxima não sabemos o que será."
"Eu vou encontrá-los." Sófia olhou para Gregório, com tom firme. "Vamos resolver isso de uma vez por todas, cortar o mal pela raiz."
"Não." Gregório recusou sem pensar duas vezes, segurando a mão de Sófia. "É perigoso demais. Se ousaram usar a Clara para te ameaçar, significa que já não têm nada a perder. Eles são capazes de tudo, não posso deixar você correr esse risco."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...