Lucas Dutra levou a mão às têmporas latejantes, massageando-as, com a voz carregada de um cansaço indisfarçável: "Ela agora até se esconde de mim, quanto mais sentar para conversar civilizadamente."
Sófia Lopes, sentada no sofá, observava aquele jeito desamparado dele, sentindo uma mistura de raiva e pena: "Você pensa demais, hesita demais. Aquele jeito da Geovana Alves, parece teimosa, mas tem o coração mais mole que qualquer um."
"Se ela está te evitando agora, não é porque te odeia de verdade, é porque tem mágoa, tem mal-entendido no coração."
"Quanto mais você evita, mais profundo esse mal-entendido fica. É aí que você deveria procurar uma oportunidade para perguntar claramente qual é o nó cego que existe entre vocês."
Ela fez uma pausa e continuou: "Essa disputa jurídica entre a Era Próspera e a NexGen Tecnologia, foi você quem intermediou para a Sra. Sófia passar os recursos para a Geovana. Agora veja só, virou um dilema para ela."
"A Ângela Tavares parece gentil, mas a competitividade dela no ambiente de trabalho não é brincadeira. A Geovana está sozinha na Era Próspera, sem ninguém para dar suporte, é inevitável que sofra injustiças."
As sobrancelhas de Lucas se franziram ainda mais, e as pontas dos dedos tamborilavam inconscientemente na mesa, produzindo um som abafado.
"Vou resolver isso."
Depois de um longo tempo, Lucas ergueu os olhos: "O alinhamento jurídico com a Era Próspera, eu mesmo vou conduzir. Vou encontrar uma chance para conversar com ela."
Sófia, vendo que ele finalmente cedeu, assentiu levemente com a cabeça: "Assim que se faz. Não a deixe carregar tudo sozinha."
"Ela não diz nada, mas o coração está amargurado."
Ao mesmo tempo.
Na área do departamento jurídico da Tecnologia Era Próspera, a atmosfera estava tão opressiva que parecia estagnada.
Geovana estava sentada em sua estação de trabalho, diante de uma pilha alta de documentos, desde os registros originais do projeto da NexGen até casos de disputas semelhantes anteriores da Era Próspera.
Além disso, havia a organização de diversos artigos legais. Ângela empurrou todo esse trabalho para ela de uma só vez, sob o belo pretexto de "familiarizar-se com o serviço e construir uma base sólida".
Ângela, por sua vez, deixou o trabalho mais exaustivo e tedioso para ela, enquanto saía para o trabalho externo, ficando livre.
Ângela agiu como se não tivesse ouvido, ajeitou o blazer e disse em tom indiferente: "Faço isso pelo bem do trabalho. O serviço externo exige ir ao local, e como você conhece bem a NexGen, é mais adequado que fique na empresa organizando os materiais."
"Se não terminar, faça hora extra. No mercado de trabalho, não existem tantas molezas assim."
Dito isso, ela pegou a bolsa e saiu do escritório sem hesitar, deixando Geovana sozinha, atônita, diante da mesa cheia de documentos.
Os colegas ao redor lançaram olhares de compaixão, mas ninguém ousou se aproximar para dizer uma palavra.
Afinal, Ângela era quem liderava esse caso agora, e a hierarquia corporativa não permitia que outros se intrometessem.
Geovana respirou fundo, reprimiu a mágoa e a raiva no fundo do coração, abaixou a cabeça novamente e continuou trabalhando.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...