Ela sabia que aquilo não era um lembrete amigável de Ângela; era pura provocação.
Fez de propósito ao pedir sua ajuda, ao questioná-la em público, ao colocá-la na fenda entre a NexGen e a Era Próspera, forçando-a a fazer uma escolha.
A concorrência comercial era inevitável, mas Ângela insistia em usar aquele método para fazê-la sofrer, presa no limbo entre seu antigo empregador e o novo trabalho.
Era como se, ao ter qualquer vínculo com a NexGen, ela jamais pudesse se integrar verdadeiramente à Era Próspera, permanecendo para sempre como a "forasteira".
Geovana abriu o notebook e começou a pesquisar informações sobre a NexGen.
Ela ocupou um cargo na NexGen por tanto tempo, viu a empresa crescer desde o início e conhecia tudo ali como a palma da mão, mas essa familiaridade agora se tornara uma pedra no sapato em sua carreira.
Quanto mais pensava, mais sufocada se sentia. Parou o que estava fazendo, recostou-se na cadeira e olhou para o teto.
Ela só queria encontrar um emprego tranquilo e viver com suas próprias capacidades; por que isso tinha que ser tão difícil?
Primeiro foram os problemas envolvendo Lucas, depois as dificuldades criadas deliberadamente por Ângela; parecia que, não importava para onde fosse, não conseguia escapar do redemoinho do passado.
Não se sabe quanto tempo passou até que Geovana recobrasse os sentidos e pegasse novamente no mouse.
De qualquer forma, ela não podia admitir a derrota, não podia deixar que Ângela a subestimasse, e muito menos permitir que aquelas emoções negativas a vencessem.
Ela respirou fundo e seus dedos pousaram novamente no teclado. Dessa vez, parou de pensar naquelas confusões.
Concentrou-se apenas em organizar os materiais, classificando os contratos e informações de registro da NexGen um por um, destacando os pontos-chave relacionados à disputa atual, com uma formatação impecável e lógica clara.
A manhã passou num piscar de olhos.
Geovana encadernou o material organizado e o levou até a mesa de Ângela. Sem dizer uma palavra, deixou-o ali e saiu.
Ângela pegou o material e folheou. Claramente, não esperava que Geovana organizasse tudo com tanto detalhe.
Mas ela apenas ergueu as sobrancelhas, não disse nada e continuou de cabeça baixa, estudando os processos.
O edifício de escritórios familiar, a porta giratória familiar, até mesmo o segurança na entrada era um rosto conhecido.
Geovana hesitou por um instante, com um misto de sentimentos no peito.
Aquele fora um lugar que ela frequentava diariamente, e agora voltava como "adversária", e ainda por cima acompanhada de Ângela. Que ironia.
Ângela parecia não perceber sua emoção. Entrou direto pela porta giratória e sorriu para a recepcionista: "Olá, somos da Era Próspera. Viemos falar com o departamento jurídico para pegar os registros originais de interface do projeto em disputa com sua empresa."
A recepcionista verificou as informações e conduziu as duas em direção ao departamento jurídico.
No caminho, muitos funcionários da NexGen reconheceram Geovana e lançaram olhares de surpresa, sussurrando entre si.
Geovana manteve a cabeça baixa, tentando evitar aqueles olhares, sentindo o constrangimento aumentar.
Ao chegarem à porta do departamento jurídico, Ângela parou de repente. Estendeu a bolsa que carregava na direção de Geovana, com um tom tão natural como se estivesse dando ordens à sua própria assistente: "Geovana, eu vou falar com o pessoal do jurídico primeiro. Segura minha bolsa e aproveita para ir lá embaixo comprar dois cafés, latte, pouco açúcar e pouco leite."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...