Ela apertou os lábios com força, não respondeu e nem sequer lhe dirigiu outro olhar, virando-se imediatamente em direção à escadaria.
Lucas olhou para as costas dela e estendeu a mão, querendo chamá-la, mas sua garganta parecia bloqueada, incapaz de emitir qualquer som.
A ponta de seus dedos congelou no ar, e a luz em seus olhos se apagou pouco a pouco, restando apenas uma perda infinita e impotência.
Ângela, parada ao lado, observou a cena, compreendeu a situação e, sensatamente, não disse nada.
O presidente da Era Próspera, vendo o estado de Lucas, tentou amenizar o clima com um sorriso: "Diretor Dutra, esta é a Srta. Alves, certo?"
"A capacidade profissional dela é muito forte. Tanto ela quanto a Srta. Tavares são talentos raros; nosso departamento jurídico tirou a sorte grande desta vez."
Lucas forçou um sorriso no canto dos lábios, uma expressão meramente protocolar, mas seus pensamentos já haviam voado para longe, seguindo a silhueta de Geovana.
Ele não conseguia entender: só queria ajudá-la a encontrar um emprego confiável, queria que ela tivesse uma vida mais leve. Por que as coisas haviam tomado esse rumo?
Por que ela sempre o interpretava mal?
Na escadaria, Geovana descia degrau por degrau. A parede fria tocava a palma de sua mão, mas não conseguia suprimir o calor e a injustiça que sentia no fundo do peito.
Ela chegou ao térreo e empurrou a porta da saída de emergência.
Geovana encostou-se na parede, cobriu o rosto com as mãos e seus ombros tremeram levemente.
Ela sabia que talvez estivesse sendo um pouco radical, um pouco sensível demais, mas as atitudes de Lucas tornavam impossível não haver mal-entendidos.
Ele era sempre assim, tratando-a bem da maneira arrogante que achava correta, mas nunca lhe perguntava se ela queria, se ela gostava.
Desde o casamento de fachada, passando pelo divórcio, até a busca de emprego agora, ele parecia estar sempre no comando de tudo, enquanto ela, como uma marionete, era guiada por ele.
O que ela queria nunca foi a esmola dele, nem os arranjos dele, mas um tratamento de igualdade, um respeito.
Ângela observou a expressão dele e suspirou internamente: "Sr. Dutra, há coisas que é melhor serem ditas."
"Se você não falar, ela nunca saberá."
Lucas olhou para Ângela e não disse mais nada.
Ele baixou o olhar, trocou de número e enviou uma mensagem para Geovana: [Vamos encontrar um tempo para conversar sobre nós dois.]
Geovana estava no táxi quando recebeu a mensagem.
Era um número desconhecido, mas ela conseguia adivinhar de quem era.
Geovana massageou as têmporas, exausta, sem vontade de se envolver em mais conflitos com ele.
[Quero ficar sozinha, me deixe em paz.]

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...