Ela fechou o zíper e arrastou a mala para a sala, sem nem olhar para os pais no sofá, caminhando direto em direção à porta.
"Aonde você vai?" A Sra. Alves finalmente entrou em pânico, levantando-se para bloqueá-la. "Se você for embora, o que será de nós?"
Geovana olhou para ela, com os olhos calmos: "Aonde eu vou, não tem nada a ver com vocês."
"De agora em diante, não precisam mais se preocupar com os meus assuntos."
Ao dizer isso, ela empurrou suavemente a mão da Sra. Alves, abriu a porta e saiu sem olhar para trás.
Ela arrastou a mala, descendo as escadas passo a passo. Cada passo parecia pisar em algodão, leve, mas carregando um peso de mil quilos.
Ao chegar lá embaixo, o vento da noite soprou em seu rosto, trazendo o frio do final do outono, fazendo-a tremer.
Nesse momento, Sófia ligou.
"Alô, Sófia." Disse Geovana.
"Geovana, você está bem?" A voz de Sófia estava cheia de preocupação. "Vi você sair com pressa, fiquei preocupada."
Geovana encostou-se na mala: "Estou bem, pode ficar tranquila."
"Onde você está agora? Quer que eu vá te fazer companhia?"
"Não precisa."
Geovana recusou: "Só saí para caminhar um pouco, espairecer."
O outro lado da linha ficou em silêncio por alguns segundos, e a voz de Sófia soou novamente: "A família falou alguma coisa de novo?"
Geovana apertou os lábios e não disse nada, o que foi uma confirmação silenciosa.
"Não leve a peito." Sófia suspirou. "Pessoas como eles não merecem sua tristeza."
Geovana respirou fundo, como se tivesse tomado uma decisão: "Sófia, acho que às vezes a pessoa realmente precisa ter sua própria ocupação."
"Senão, até quando leva um fora, não sabe o que fazer, só fica em casa sofrendo."
Sófia ficou surpresa por um momento, depois riu: "Que bom que você pensa assim."
"Se precisar de alguma ajuda, me avise a qualquer hora."
A Professora Tavares sentou-se ao piano, ensinando pacientemente a leitura de partituras, o dedilhado e como tocar músicas simples.
Geovana aprendia com seriedade, as pontas dos dedos tocando as teclas pretas e brancas, produzindo notas intermitentes.
No início foi um pouco rígido, mas depois tornou-se gradualmente fluente.
Quando o som melodioso do piano ecoou no pequeno apartamento, o coração de Geovana pareceu ser preenchido por algo, e a dor e a mágoa acumuladas por muito tempo pareceram se dissipar um pouco com a música.
O tempo praticando piano passou muito rápido.
A Professora Tavares olhou para o relógio e disse sorrindo: "Por hoje é só. Você aprende muito rápido, tem muito talento."
Geovana levantou-se, e um sorriso há muito perdido apareceu em seu rosto: "Obrigada, Professora Tavares."
Ela acompanhou a Professora Tavares até a porta e abriu-a para ela.
Justo nesse momento, seu olhar varreu inadvertidamente o andar de baixo, e seu coração deu um salto violento.
Aquele Bentley preto, estacionado na beira da estrada embaixo do prédio, era tão familiar que lhe causou palpitações.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...