A voz de Sófia carregava um toque de hesitação: "Desde que colocamos as crianças para dormir, venho sentindo uma palpitação, como se houvesse alguém do lado de fora da janela nos observando."
As sobrancelhas de Gregório franziram instantaneamente, a ternura em seus olhos desapareceu, dando lugar a um estado de alerta.
Ele deu um tapinha na mão de Sófia e disse com voz grave: "Não imagine coisas, eu vou dar uma olhada."
Dizendo isso, ele se levantou e foi até a janela, primeiro espiando pela fresta da cortina.
A noite estava densa, apenas alguns postes de luz no pátio do hotel estavam acesos, o chão coberto de neve estava vazio, sem vivalma.
Ele então abriu a cortina e empurrou a janela, uma rajada de vento frio misturado com neve entrou, fazendo o cabelo em suas têmporas balançar levemente.
Ele examinou cuidadosamente a cena fora da janela, o quintal do hotel era um campo de neve aberto.
Ao longe, viam-se as montanhas contínuas, exceto pelo som do vento soprando nas copas das árvores, não havia outro movimento.
"Ninguém."
Gregório fechou a janela, virou-se e caminhou até Sófia, estendendo a mão para afagar o cabelo dela. "Provavelmente você está muito cansada hoje, e acabou de receber a notícia do divórcio da sua mãe, a flutuação emocional foi grande, por isso está imaginando coisas."
Sófia assentiu, mas ainda sentia uma leve inquietação no coração.
Ela sabia que poderia estar sensível demais, mas a sensação de estar sendo observada era tão real que a deixava em pânico.
Gregório parecia ter percebido seus pensamentos, inclinou-se para pegá-la no colo e caminhou em direção ao quarto: "Não pense mais nisso, vá dormir."
"Comigo aqui, ninguém pode machucar você e as crianças."
A voz dele era grave e poderosa, carregando uma força tranquilizadora.
Sófia aninhou-se nos braços dele, com o cheiro dele em volta de seu nariz, e aquela pequena inquietação em seu coração foi gradualmente suavizada pelo calor.
A noite passou sem incidentes.
Na manhã seguinte.
Clara e Enzo acordaram cedo, brincando e fazendo algazarra no quarto das crianças, o que acordou Sófia e Gregório de seus sonhos.
Após se arrumarem, os quatro desceram para o restaurante para tomar café da manhã.
O café da manhã do hotel era estilo buffet, ao lado do balcão de comida havia uma variedade de doces e bebidas, exalando um aroma delicioso.
Clara e Enzo seguravam pratinhos, correndo animados para escolher as comidas que gostavam, enquanto Sófia e Gregório seguiam atrás, com os olhos cheios de carinho.
Nesse momento, uma voz feminina familiar soou, carregando um entusiasmo um tanto forçado: "Diretor Pacheco, Srta. Lopes, que coincidência."
Sófia e Gregório viraram a cabeça ao mesmo tempo e viram Ella vestindo um conjunto branco-creme bem cortado, com maquiagem impecável e o cabelo penteado meticulosamente.
Ela segurou o braço de Gregório discretamente, com um tom de voz calmo e inabalável: "É mesmo? Então desejo sucesso à Srta. Ella em seu trabalho no país."
"Aceito seus votos."
Ella riu e olhou para Gregório novamente, com um tom de voz carregado de sedução convicta: "Diretor Pacheco, sobre a cooperação entre nossas duas empresas, acho que ainda podemos conversar."
"Os recursos que tenho em mãos, imagino que o Grupo Pacheco precise muito, especialmente a tecnologia central do setor de novas energias, o que a Rico pode oferecer é muito mais do que você imagina."
Gregório olhou para ela friamente, sem um pingo de calor nos olhos: "A premissa da cooperação é a sinceridade. Se a Srta. Ella não tem isso, não há necessidade de conversar."
O sorriso no rosto de Ella congelou por um instante, mas logo voltou ao normal, ela tomou um gole leve de café e, ao pousar a xícara, bateu levemente os dedos na parede da xícara, dizendo com um sorriso ambíguo: "Sinceridade, é claro que eu tenho."
"O Diretor Pacheco pode considerar mais um pouco, quem sabe em alguns dias você mude de ideia."
"Afinal, algumas oportunidades, se perdidas, nunca mais voltam."
Ela fez uma pausa, varreu o olhar significativamente sobre Sófia e voltou a pousar em Gregório, baixando o tom de voz: "Diretor Pacheco, você é um homem inteligente, deve saber com quem cooperar para fazer a escolha mais sábia."
Dito isso, ela não esperou pela resposta de Gregório e virou-se, saindo com um andar sinuoso.
Ao passar pelo balcão de comida, ela ainda pegou propositalmente um macaron, ergueu o queixo na direção dos dois, com um sorriso cheio de certeza da vitória.
Olhando para as costas dela, as sobrancelhas de Sófia franziram ainda mais: "O que ela quis dizer com isso? Sinto que há algo nas entrelinhas."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...