Deslizaram até o final do trajeto de volta.
Sófia Lopes conduzia Clara pela mão, enquanto Gregório Pacheco seguia logo atrás, protegendo Enzo, o grupo caminhava em direção ao hotel entre conversas e risadas.
Geovana Alves e Lucas Dutra ficaram para trás, ambos com vestígios de neve nas roupas e as pontas dos narizes vermelhas pelo frio, mas nenhum dos dois tomou a iniciativa de falar.
O ar estava impregnado de uma ambiguidade indescritível, e até o som do vento roçando as orelhas parecia carregar uma certa doçura.
"Ahm..."
Geovana foi a primeira a quebrar o silêncio, levantando a mão para arrumar o cabelo despenteado pelo vento, com o olhar fixo na neve sob seus pés. "Obrigada por agora há pouco, por não me deixar cair de um jeito muito vergonhoso."
Lucas virou a cabeça para olhá-la, a luz do poste incidia sobre o rosto dela, delineando a linha suave de seu maxilar.
Ele não conseguiu conter um sorriso, e sua voz soou grave e agradável: "Obrigada pelo quê? Proteger você é o meu dever. Mesmo que não fossemos amigos, somos casados no papel."
"Quem é casada de verdade com você?" Geovana lançou-lhe um olhar de reprovação, corando. "Não passa de uma medida de conveniência para lidar com a família."
"Medida de conveniência?" Lucas ergueu uma sobrancelha, diminuindo o passo para caminhar lado a lado com ela. "Então, Sra. Alves, você acha que nós, esse casal de mentira, deveríamos tentar nos tornar um casal de verdade?"
Os passos de Geovana pararam bruscamente, e seu coração pareceu ter sido atingido por algo, batendo forte.
Ela levantou a cabeça e encontrou o olhar profundo de Lucas, o sorriso contido ali carregava uma mistura de seriedade e brincadeira, deixando-a momentaneamente incapaz de distinguir o que era real.
"Você..." Geovana gaguejou. "Que bobagem você está dizendo?"
Lucas riu baixinho, estendendo a mão para limpar a neve que caíra no ombro dela, as pontas de seus dedos roçaram inadvertidamente o pescoço dela, provocando uma leve coceira.
"Não estou dizendo bobagem."
Assim que a voz de Lucas cessou.
"Sra. Alves! Sr. Dutra! Rápido! Nós vamos comer churrasco!"
Lá na frente, Clara e Enzo gritavam.
Geovana sentiu como se tivesse agarrado uma tábua de salvação e respondeu apressadamente: "Estamos indo, estamos indo!"
Ela não ousou olhar nos olhos de Lucas novamente e apressou o passo, mas seu coração continuava batendo descompassado.
Lucas observou as costas dela enquanto ela fugia, e o sorriso em seus olhos se aprofundou.
Ele levantou a mão para tocar o queixo, e os cantos de sua boca se curvaram em um arco de determinação.
Quando voltaram ao hotel, as crianças já estavam exaustas, jogadas no sofá, reclamando que queriam tomar banho.
Sófia e Gregório ocuparam-se em procurar os pijamas das crianças, enquanto Geovana e Lucas pegaram as malas e subiram para o quarto de hóspedes no segundo andar.
No momento em que abriram a porta.
A grande cama de casal no quarto parecia extraordinariamente sugestiva sob a iluminação amarelada e quente.
"Eu durmo no sofá."
Lucas falou primeiro, colocando a mala ao lado do sofá. "O sofá é grande o suficiente, não deve ser desconfortável para dormir."
Geovana olhou para ele, sentindo-se um pouco culpada. "Não precisa."
Ela pegou o pijama e entrou no banheiro.
A água morna lavou seu corpo, levando embora o cansaço e o frio.
Geovana ficou sob o chuveiro, fechou os olhos, mas a imagem de Lucas continuava em sua mente.
Quando ela saiu do banho, Lucas já havia retornado.
Ele estava encostado no sofá, segurando um livro, a luz quente caía sobre ele, delineando sua figura imponente.
Ao ouvir os passos, Lucas levantou a cabeça.
Geovana vestia um roupão branco, os cabelos estavam úmidos, as bochechas coradas e o olhar límpido, o que fez o coração dele falhar uma batida.
"Terminou?" Lucas largou o livro e se levantou. "Vou tomar banho."
"Uhum." Geovana assentiu, sem ousar olhá-lo, e caminhou rapidamente para se sentar na cama.
Lucas entrou no banheiro e, logo, o som de água correndo pôde ser ouvido.
Geovana sentada na cama, ouvindo o som da água, sentia o coração inquieto, como se tivesse um coelho pulando dentro do peito.
Não se sabe quanto tempo passou até que a porta do banheiro se abriu.
Lucas saiu vestindo um roupão cinza, os cabelos molhados, com gotas de água escorrendo pelas pontas, deslizando pelo pescoço e desaparecendo na gola do roupão.
O olhar de Geovana caiu inconscientemente sobre ele, e suas bochechas ficaram ainda mais vermelhas.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...