"Sófia, eu sei das preocupações de vocês."
"Enzo tem uma origem complicada, e vocês se preocupam que, se ele continuar tão próximo de Clara, possa haver algum conflito se ele descobrir a verdade no futuro."
O coração de Sófia deu um salto. Ela não esperava que Rita fosse tão perspicaz.
Nos últimos dias, ela e Gregório não estiveram isentos de preocupações, mas ao verem o quão dócil e sensato Enzo era, simplesmente não tiveram coragem de mandá-lo embora.
Rita, vendo a hesitação nos olhos dela, falou com uma voz ainda mais gentil: "Esse menino é verdadeiramente digno de pena."
"Ele não deveria arcar com as consequências dos pecados de Vicente."
"Eu estava pensando... que tal deixar Enzo comigo?"
"Eu moro na antiga residência da família, é um lugar tranquilo, e eu posso cuidar bem dele."
"E quando vocês sentirem saudades, podem ir visitá-lo a qualquer momento."
"Dessa forma, ele pode crescer em paz, e vocês podem se livrar de suas preocupações. Não seria a solução perfeita?"
O coração de Sófia estava em tumulto.
Cada palavra de Rita ressoava profundamente nela.
Ela olhou pela janela para Clara e Enzo correndo e brincando no jardim, as risadas das duas crianças soando claras e doces como sinos de vento na primavera.
Ela permaneceu em silêncio por um longo tempo antes de falar, sua voz tingida de hesitação: "Não posso decidir isso sozinha."
"Precisamos perguntar ao próprio Enzo."
Os olhos de Rita brilharam e ela assentiu rapidamente: "Claro, claro."
"É melhor se a criança concordar."
Quando as duas saíram do escritório, viram Clara puxando a mão de Enzo, entrando saltitante.
Rita se aproximou, agachou-se e, com um olhar gentil no rosto de Enzo, perguntou suavemente: "Enzo, a vovó pode te perguntar uma coisa?"
Enzo parou e olhou para Rita, assentindo obedientemente: "Pode dizer, vovó."
"Você gostaria de ir morar com a vovó na antiga residência por um tempo?" A voz de Rita era muito suave, como se temesse assustá-lo. "Lá tem muitas coisas divertidas, e também os coelhinhos que você gosta."
"A vovó vai fazer comidas gostosas para você e vai te ajudar a ler e escrever."
Os olhos de Enzo piscaram, e ele instintivamente olhou para Sófia.
Sófia se aproximou, agachou-se e segurou sua pequena mão, sentindo o leve frio em sua palma.
Ela olhou nos olhos de Enzo, seu tom gentil, mas firme: "Enzo, não precisa ter medo."
"Se você quiser ir, vá. Se não quiser, fique em casa. Nós respeitaremos sua decisão."
Ele acabara de terminar uma reunião multinacional, sua testa ainda estava úmida de suor. Sua roupa de casa estava impecavelmente passada, mas não conseguia esconder o cansaço em seu rosto.
Ele se sentou à mesa, pegou o copo de água morna que Sófia lhe entregou e bebeu um gole, sentindo a secura na garganta diminuir um pouco.
Rita sentou-se na cabeceira, olhando para ele e não pôde deixar de repreendê-lo novamente: "Não importa o quão ocupado você esteja com o trabalho, você precisa cuidar do seu corpo."
"Se você realmente desmoronar, o que será de Sófia e das crianças?"
Gregório não disse nada, apenas assentiu, pegou o garfo e colocou um pouco de verdura na boca.
Sófia sentou-se ao lado dele, serviu-lhe uma tigela de canja e disse suavemente: "Coma devagar, a sopa cozinhou a tarde toda, está bem saborosa."
Enzo e Clara sentaram-se ao lado, as duas crianças conversando animadamente, tagarelando como dois passarinhos.
Enzo falava sobre como os coelhinhos da antiga residência eram fofos, e Clara contava como os blocos de montar do jardim de infância eram divertidos. As vozes infantis e cristalinas dissiparam um pouco da atmosfera pesada da sala.
Rita, observando a cena acolhedora, sentiu um lampejo de satisfação, mas logo pareceu se lembrar de algo, pousou o garfo e olhou para Gregório e Sófia do outro lado da mesa, seu tom um tanto solene: "A propósito, há algo que eu acho que já deveria ter mencionado."
A mão de Gregório, que estava pegando comida, parou. Ele ergueu os olhos para ela, sem dizer nada.
Sófia também largou a colher, sentindo vagamente o que estava por vir.
"Você e a Sófia, quando vão se casar de novo?"
A voz de Rita não era alta, mas chegou claramente aos ouvidos dos dois. "Do jeito que vocês estão agora, morando juntos, parecendo uma família, ainda falta um documento."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...