"Dê a ele uma vida normal, deixe-o ir à escola, ensine-o o certo e o errado, como antes."
Ele fez uma pausa e acrescentou: "Quanto à sua origem, ele já sabe. Quando for um pouco mais velho, podemos contar os detalhes."
"O importante é que ele saiba que a Família Pacheco é sua casa e nós somos sua família."
O coração de Sófia se acalmou.
O que ela mais temia era que Gregório guardasse ressentimento contra Enzo por causa de Vicente.
Agora, ouvindo-o dizer isso, seus olhos ficaram um pouco vermelhos: "Eu também penso assim."
Os dois se olharam e sorriram, e a luz das velas no ambiente pareceu brilhar mais intensamente.
Após o jantar, Gregório levou Sófia até o terraço.
A brisa noturna soprava, trazendo um leve frescor. Sófia estava prestes a dizer algo quando o céu noturno explodiu subitamente com um fogo de artifício deslumbrante.
A luz dourada e vermelha iluminou todo o céu, e em seguida, inúmeros fogos de artifício floresceram em sucessão.
Sófia parou, olhando atônita.
Gregório a abraçou por trás.
O queixo do homem repousava em sua nuca, sua voz com um pedido de desculpas rouco: "Eu errei no passado, sempre querendo carregar tudo sozinho, te protegendo atrás de mim, mas esqueci de perguntar se você estava cansada, esqueci de te dizer o quanto me importo com você."
"Aqueles mal-entendidos, aqueles desencontros, te fizeram sofrer."
Ele apertou os braços, abraçando-a com mais força: "Sófia, nos dias que virão, não vou mais te deixar sozinha."
"Seja criando Enzo ou enfrentando as turbulências da Família Pacheco, faremos isso juntos. No caminho à frente, observe minhas ações."
Ele queria se redimir.
O coração de Sófia apertou.
Ela disse suavemente: "É bom que você tenha entendido."
Ela fez uma pausa, olhando seriamente para Sófia: "Quando ele crescer, entender as coisas, perceber que vive de favor, suportando o desprezo da Família Pacheco, não há como garantir que ele não desenvolverá ressentimento."
"Nesse momento, quem pode dizer que ele não se voltará contra vocês para se vingar?"
Sófia baixou o olhar para as folhas de chá flutuando na xícara, seus dedos se apertando levemente.
Ela já havia pensado nessas preocupações, mas toda vez que encontrava os olhos assustados e suplicantes de Enzo, não tinha coragem de calcular os riscos a longo prazo.
Lucas, ao lado, finalmente falou, a voz tão suave quanto o chá na xícara: "O que Geovana disse não é sem fundamento."
"Vocês o criaram, isso é uma gentileza, mas as coisas do sangue, às vezes, são inexplicáveis."
"É melhor ter mais cautela no futuro, não custa nada."
Sófia não respondeu, apenas pegou a xícara e tomou mais um gole.
O amargor do chá se espalhou por sua língua, mas não conseguiu suprimir a súbita amargura que surgiu em seu coração.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...