Sófia segurava firmemente o guidão, os olhos fixos na estrada embaçada pela nevasca à frente, mas podia sentir claramente o calor do corpo de Gregório em suas costas.
Ele sentou-se atrás dela, as mãos largas envolvendo firmemente sua cintura fina.
Em seus ouvidos, o uivo do vento e o barulho crescente dos perseguidores se aproximando. Os gritos misturados com a nevasca eram tão agudos que pareciam perfurar seus tímpanos.
"Eles certamente vieram atrás de nós!"
A voz de Sófia soava um pouco instável por causa do vento. "Eu voltei para pegar a moto de neve. Você conhece o caminho? Rápido, me guie."
A força em sua cintura afrouxou um pouco, e a voz de Gregório soou perto de seu ouvido, tão fraca quanto a chama de uma vela ao vento.
A febre alta e a corrida dos últimos dias haviam esgotado sua energia, e agora até falar exigia toda a sua força: "Para o sudoeste, há uma floresta de gelo lá. O terreno é complexo, podemos despistá-los."
Sófia estava prestes a responder quando sentiu os braços em sua cintura escorregando lentamente. A força que a envolvia diminuía, e a testa do homem até mesmo se apoiou impotente em suas costas, com uma temperatura escaldante.
Seu coração se apertou violentamente, e um pânico amargo subiu por sua garganta: "Gregório, não durma, aguente firme!"
O homem não respondeu, apenas cerrou os lábios pálidos.
Sua respiração roçava seu pescoço, quente com um toque de frieza fraca.
Depois de um tempo, ele finalmente falou com uma voz que quase se dissipava: "Escute... se eu realmente não tiver mais forças, não tente me levar à força, vá primeiro..."
"Cale a boca!"
A voz de Sófia subiu de tom abruptamente.
Ela olhou para a vasta planície de gelo à sua frente, sem conseguir distinguir a direção, cerrou os dentes e, com uma mão livre, tirou um rolo de corda de alpinismo que já havia preparado do bolso lateral da mochila.
No momento em que a corda foi amarrada, o corpo de Gregório tremeu levemente, e a mão que envolvia sua cintura recuperou um pouco de força, como se quisesse encaixá-la em seus próprios ossos e sangue.
Os perseguidores atrás deles não foram despistados, pelo contrário, estavam cada vez mais perto.
O rugido dos motores ecoava, evidentemente o outro lado também havia chamado reforços, trazendo mais motos de neve.
Os feixes de luz dos faróis perfuravam a nevasca, projetando sombras trêmulas na planície de gelo, como talismãs da morte.
A nevasca se intensificou, flocos de neve como penas de ganso obscurecendo a visão de Sófia. Ela só podia seguir as instruções de Gregório, girando desesperadamente o guidão e acelerando em direção ao sudoeste.
As rodas esmagavam a neve espessa, levantando uma nuvem de pó branco. Os grãos de gelo gelados batiam em seu rosto, doendo tanto que seus olhos ficaram vermelhos.
O veículo balançava violentamente na neve, e cada solavanco puxava as feridas de Gregório. Ele soltou um gemido abafado, mas cerrou os dentes com força para não fazer mais nenhum som.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...