Gregório também se agachou e começou a investigar com ela: "Pouco provável. O vento é mais fraco dentro da fenda, a neve não seria tão espessa. Se o chip tivesse caído aqui, deveríamos conseguir vê-lo."
Seu olhar varreu as profundezas escuras, suas sobrancelhas se franzindo cada vez mais. "Talvez a pessoa que levou o chip nem tenha entrado na fenda, apenas deixou rastros para nos enganar."
Sófia se levantou, esfregando as mãos congeladas, o coração cheio de desapontamento e ansiedade.
O chip parecia ter desaparecido no ar, sem deixar nenhuma pista útil.
Ela olhou para cima, para a abertura da fenda. A luz do dia parecia ter escurecido ainda mais. O vento, que já uivava, agora soava mais violento, e podia-se até ouvir o som de rachaduras no gelo.
"Algo está errado, precisamos subir rapidamente."
A expressão de Gregório mudou de repente, e ele puxou o pulso de Sófia com força. "Uma tempestade de neve está chegando."
Mal ele terminou de falar, toda a geleira começou a tremer violentamente.
Um estrondo enorme veio de cima da fenda, e grandes quantidades de neve e pedras rolaram para dentro, batendo nas paredes de gelo com um som estridente.
A luz da lanterna se apagou com o tremor, e a escuridão engoliu tudo instantaneamente, restando apenas o uivo do vento e o som aterrorizante do gelo se partindo.
"Segure-se em mim." A voz de Gregório estava ofegante. Ele segurou a mão de Sófia com força, puxando-a para perto de si.
Os dois tropeçaram e se esconderam atrás de uma rocha enorme, mal conseguindo evitar as pedras que caíam.
A neve e as pedras continuavam a cair de cima, e logo bloquearam a maior parte da saída da fenda, deixando apenas uma pequena abertura por onde uma luz fraca entrava.
A temperatura dentro da fenda caiu drasticamente. O ar gelado cortava o rosto como uma faca, e Sófia podia sentir claramente o calor de seu corpo se dissipando rapidamente, sua consciência começando a ficar turva.
"Frio... muito frio..."
Seus dentes batiam e seu corpo tremia incontrolavelmente. Instintivamente, ela se aproximou da única fonte de calor ao seu lado.
Gregório sentiu seus tremores e sabia que, se continuassem assim, ambos congelariam até a morte.
Ele estava em pânico.
Ele não temia a morte, mas não podia deixar Sófia morrer aqui.
Não podia deixar Clara perder a mãe, não podia deixar que o futuro que eles mal começavam a vislumbrar terminasse assim, abruptamente.
"Não vai acontecer."
"As tempestades de neve vêm em ondas. Se aguentarmos até a neve parar, teremos uma chance de sair."
Ele olhou para Sófia em seus braços. Seu rosto estava pálido como papel, seus lábios roxos de frio, e suas sobrancelhas franzidas, claramente sofrendo muito.
O coração de Gregório doía como se estivesse sendo perfurado por agulhas.
Ele encostou a bochecha na testa dela, aquecendo-a com o calor de seu próprio corpo, seu olhar fixo na saída da fenda acima, observando a situação lá fora.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...