Ela se virou lentamente, seu olhar fixo em Gregório Pacheco.
O homem estava a poucos passos dela, sua figura ereta como um pinheiro, permitindo que o vento e a neve caíssem sobre seus ombros, envolto em sua habitual aura de calma e frieza.
"Na verdade, você não precisava procurar", ele disse em voz baixa. "Isso não é tão importante."
As sobrancelhas de Sófia Lopes se franziram instantaneamente, seu tom carregado de incredulidade: "O que não é importante?"
"Estes são assuntos meus." O olhar de Gregório escureceu ligeiramente. "Sófia, você pode não se intrometer."
"Eu posso não me intrometer?"
Sófia pareceu ter ouvido a maior piada do mundo, e seu olhar tornou-se subitamente mais frio.
"Gregório, você vai ser sempre tão egocêntrico? Tão precipitado e arbitrário em decidir tudo, em decidir o rumo da vida dos outros, em especular sobre os sentimentos alheios."
"Desde o início, você esteve errado. Você ainda não percebeu?"
Gregório a observava de longe: "Por isso sou uma pessoa fria e sem coração."
"Até mesmo, não sou digno de ser chamado de pessoa."
Ele olhou profundamente para Sófia: "Por que você se importa com os meus assuntos? Aqui é perigoso, o desaparecimento do chip tem amplas implicações, e pode haver uma conspiração desconhecida por trás disso."
"Eu quero que você volte, que volte para um lugar seguro."
Ela pensava que, depois de tudo o que passaram, ele pelo menos entenderia seus sentimentos, entenderia que ela não estava agindo por impulso, mas que sinceramente queria estar ao seu lado para enfrentar tudo.
Mas ele continuava a afastá-la à sua maneira, ainda a via como um fardo que precisava ser protegido.
Sófia respirou fundo, o ar gelado apertando sua garganta, mas também clareando sua mente.
Ela mordeu o lábio inferior com força, sem mais olhá-lo: "Eu vou fazer o que eu decidi, e também não preciso que você se intrometa."
Depois de falar, ela se virou e continuou a andar para frente.
Ela sabia que era Gregório que a seguia, e seu coração estava um turbilhão de emoções.
A área central de testes era cercada por uma grade de proteção, já coberta por uma espessa camada de neve.
Sófia caminhou até a grade, tirou as luvas da mochila e as colocou, começando a limpar cuidadosamente a neve da grade, seu olhar varrendo agudamente tudo ao redor, tentando encontrar qualquer vestígio suspeito.
Gregório se aproximou dela e, sem dizer uma palavra, pegou uma ferramenta ao lado e a ajudou a limpar a neve.
Os dois continuaram sem se comunicar, apenas o uivo do vento e da neve e o leve som das ferramentas se chocando, mas de alguma forma, formaram uma estranha sintonia.
Sófia se agachou, examinando o chão com cuidado.
Devido à neve pesada, a maioria dos vestígios estava coberta, mas ela não desistiu, afastando a neve pouco a pouco, não deixando passar nenhum canto.
De repente, seu olhar se fixou em um lugar onde a neve estava relativamente mais rasa. Parecia haver uma marca tênue ali, que não parecia ter sido formada naturalmente.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...