Sófia estremeceu da cabeça aos pés.
Seu rosto ficou pálido instantaneamente, e suas mãos ao lado do corpo se fecharam em punhos sem que ela percebesse.
Ela nunca havia pensado nessa questão. Sim, se algo acontecesse a ela e a Gregório, o que seria de Clara?
Aquela menina de apenas alguns anos, sem os pais, como enfrentaria o mundo sozinha?
Os sons da sala de espera pareceram desaparecer, e as pessoas ao redor se transformaram em sombras desfocadas.
Sófia olhou para a dor e a preocupação nos olhos de Gregório, travando uma batalha interna.
De um lado, a determinação de ficar ao lado dele e enfrentar as dificuldades juntos; do outro, a pesada preocupação com a filha. As duas emoções colidiam violentamente em seu coração.
Bruno, parado ao lado, não ousava respirar.
Ele podia sentir a atmosfera tensa entre os dois, compreendendo tanto a preocupação de Gregório quanto a insistência de Sófia, e por um momento não soube como intervir.
Depois de um longo tempo, Sófia respirou fundo, ergueu a cabeça para olhar para Gregório, a hesitação em seus olhos desaparecendo gradualmente, substituída por uma determinação ainda mais firme.
"Eu não posso voltar."
Sua voz era suave, mas carregava uma força inquestionável. "Clara é minha filha. Eu a amo mais do que ninguém e sou a última pessoa que gostaria que ela se machucasse."
"Nós dois sabemos, no fundo, que os testes em ambientes extremos são algo que toda equipe de pesquisa precisa passar. Esses procedimentos são respaldados por dados de segurança, nada de grave vai acontecer."
"E você não precisa usar nossa filha para me chantagear. Afinal, para nós, pessoas normais, a maior preocupação deveria ser você. Se eu não for, e algo acontecer, ninguém conseguirá te controlar."
Sófia olhou para ele. "Com ou sem a sua permissão, eu irei. Este assunto não depende de você."
Gregório ficou imóvel.
Ele permaneceu em silêncio por um longo tempo.
Finalmente, o pomo-de-adão do homem se moveu, e ele acabou cedendo.
Os membros da equipe de pesquisa ficaram um pouco surpresos ao ver Sófia ao lado de Gregório, mas ninguém perguntou nada.
A maioria deles sabia que Sófia era uma das principais desenvolvedoras do caça 07 e respeitava muito sua capacidade profissional, apenas não esperavam que ela viesse pessoalmente à Antártida para participar dos testes.
"Diretor Pacheco, Srta. Lopes", todos cumprimentaram.
Gregório acenou com a cabeça em resposta.
Sófia também sorriu e cumprimentou a todos.
Ao embarcar, Sófia tirou uma pequena sacola de sua mochila e entregou a Gregório: "Isto é para você."
Gregório pegou-a, confuso. Ao abrir, encontrou um par de luvas de lã rosa e um gorro de tricô combinando, com um pequeno pompom pendurado na aba, parecendo muito adorável.
"O que é isso?"
"Foi a Clara que comprou para você", disse Sófia. "Ela sabe que a Antártida é muito fria e usou sua própria mesada para nos comprar luvas e gorros quentinhos, insistindo que devíamos usá-los para não pegar um resfriado."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...