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A Glória da Ex-Esposa romance Capítulo 1169

Geovana Alves sentiu que não podia mais ficar naquela casa, e ouviu aquelas palavras justamente quando descia as escadas.

Geovana apertou a chave do carro na mão e saiu com passos firmes pela porta da Mansão Antiga Alves.

No momento em que deu o passo para fora, ouviu a voz de sua mãe vindo de trás.

"Sua ingrata! Mandei você ceder um quarto e era preciso fazer todo esse escândalo? Realmente foi mimada demais por esta família, não tem a menor capacidade de tolerância!"

Aquelas palavras foram como agulhas finas, perfurando seu coração e fazendo seu nariz arder.

Ela não se virou, nem se defendeu. Abriu a porta do carro, sentou-se, pisou fundo no acelerador e o carro disparou, deixando para trás a opressão e o barulho da velha mansão.

No espelho retrovisor, a casa que guardava mais de vinte anos de suas memórias foi diminuindo, até se tornar um pequeno ponto embaçado, assim como o seu frágil sentimento de pertencimento naquele momento.

Ela não sabia para onde ir. O apartamento estava vazio, e a casa para a qual não podia voltar estava cheia de mágoas. O volante girava sem rumo em suas mãos, até que ela parou no mirante à beira do rio.

O vento do rio soprava forte lá fora, trazendo uma umidade persistente que batia em seu rosto. Geovana debruçou-se sobre o volante, seu nariz ardeu, e as lágrimas finalmente rolaram.

Não era pelo quarto que ela se importava, mas pelo favoritismo inesperado de seus pais. Entristecia-a que seus mais de vinte anos sendo a única filha não valessem nada comparados a uma "irmã" recém-encontrada, cuja identidade nem sequer havia sido confirmada.

A aparência tímida e secretamente calculista de Juliana Alves, a parcialidade óbvia de sua mãe, a conivência silenciosa de seu pai... tudo isso formava uma rede densa e sufocante que a envolvia, deixando-a sem ar.

Quanto mais pensava, mais magoada e sufocada se sentia. Geovana pegou o celular, seus dedos trêmulos encontraram o número de Sófia Lopes e, ao ligar, sua voz embargada pelo choro disse: "Sófia, você... está livre? Para tomar um copo comigo."

Do outro lado da linha, Sófia tinha acabado de resolver assuntos da empresa. Percebendo o tom estranho na voz dela, concordou imediatamente: "Onde você está? Vou te encontrar. Não fique andando por aí sozinha."

"Meus pais agora só têm olhos para ela, não se importam nem um pouco com os meus sentimentos..."

Geovana falava e chorava, despejando toda a mágoa que guardava no coração.

Ela não podia dizer essas coisas a mais ninguém. Lucas Dutra era um amigo, e ela não queria preocupá-lo.

Sua família não ouvia suas explicações. Somente com Sófia ela conseguia baixar a guarda completamente.

Sófia ouvia em silêncio, acariciando suavemente as costas dela, como se consolasse uma criança ferida.

Ela sabia que Geovana, apesar de sua aparência despojada, valorizava acima de tudo a opinião de sua família. Aquela súbita mudança familiar era, sem dúvida, um golpe devastador para ela.

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