Os passos de Geovana pararam completamente. Ela se virou bruscamente para a Sra. Alves, com um olhar de pura incredulidade: "O que você disse? O meu quarto?"
Aquele era o quarto onde ela morou desde a infância, cheio de memórias de toda a sua vida. Seus livros favoritos, as lembranças que colecionou, os bichos de pelúcia que a acompanharam em seu crescimento, tudo estava naquele quarto.
E sua mãe, sem a sua permissão, havia dado seu quarto a uma irmã recém-encontrada?
Juliana, vendo o olhar chocado e levemente irritado de Geovana, baixou a cabeça rapidamente, mordeu o lábio e disse em tom de desculpa: "Desculpe, irmã, eu não sabia que era o seu quarto."
"É que eu nunca vi uma casa tão grande, nem nunca dormi em um quarto tão bom, então..."
Sua voz foi diminuindo, carregada de um toque de mágoa e timidez, o que despertava pena em quem a via.
"Se a irmã se importa, eu vou tirar minhas coisas de lá agora mesmo. Eu posso ficar no quarto de hóspedes."
A Sra. Alves interveio imediatamente: "Geovana, sua irmã acabou de voltar, não está acostumada com nada. Aquele seu quarto tem uma boa iluminação, é espaçoso, qual é o problema de deixá-la ficar lá?"
"Você já é adulta, qual a diferença de em que quarto você dorme?"
Geovana olhou para a atitude natural de sua mãe, depois para a aparência lamentável de Juliana, e uma irritação inexplicável subiu em seu peito.
Não era que ela fosse mesquinha, que não quisesse ceder o quarto, mas a atitude de sua mãe a magoou profundamente.
Aquele era o seu quarto, o único lugar naquela casa onde ela sentia pertencer, e sua mãe, sem seu consentimento, o entregou a outra pessoa.
O que a incomodou ainda mais foi a atitude de Juliana. Parecia um pedido de desculpas, mas cada frase insinuava que era natural que ela ficasse ali, e ainda por cima sugeria que Geovana era mesquinha.
"Mãe, aquele é o meu quarto." O tom de Geovana esfriou, e seu olhar trazia um distanciamento sutil. "Lá dentro tem muitas coisas importantes para mim, não é algo que se possa simplesmente ceder."
Ela olhou para sua família e, de repente, sentiu que eles eram estranhos.
Eles diziam que Juliana era sua filha perdida há anos e queriam compensá-la, mas em algum momento pensaram em como ela se sentia?
Perguntaram se ela estava disposta?
Juliana estava ao lado, com lágrimas se formando nos olhos, parecendo extremamente magoada: "Irmã, a culpa é toda minha, eu não deveria ter ficado no seu quarto."
"Vou tirar minhas coisas agora mesmo. Não fique com raiva, e não brigue com o tio e a tia."
Dizendo isso, ela se virou como se fosse subir as escadas.
"Não se atreva a tirar nada!" A Sra. Alves a segurou imediatamente, olhando com desaprovação para Geovana. "Geovana, olhe o que você fez, fez sua irmã chorar! Ela acabou de chegar, você não pode ceder um pouco a ela?"

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...