O ar quente do aquecedor soprava suavemente dentro do carro. Geovana, recostada no banco do passageiro, sentia as mechas úmidas de sua franja secarem aos poucos.
Ao ouvir a sugestão de Lucas, ela não hesitou e concordou prontamente: "Pode ir. Também tenho medo de ficar resfriada e passar mal no dia seguinte, sem conseguir trabalhar."
Anos de amizade a haviam acostumado a aceitar o cuidado de Lucas. Era um gesto tão natural e reconfortante que não exigia formalidades nem desconfianças.
Lucas assentiu e abriu a porta, mergulhando novamente na chuva torrencial.
A água, como incontáveis fios de prata entrelaçados, envolveu sua silhueta instantaneamente. Sua camisa ficou encharcada de novo, colando-se às suas costas.
Geovana observou suas costas enquanto ele corria em direção à farmácia na esquina, um sorriso inconsciente se formando em seus lábios. Logo depois, uma onda de sono a atingiu.
Na noite anterior, ela havia se revirado na cama por causa de uma ligação de casa, e a manhã fora tomada pela turbulência da reunião. Agora, relaxada, suas pálpebras pesavam como chumbo.
Ela se ajeitou em uma posição confortável, fechou os olhos e rapidamente adormeceu.
Sua respiração tornou-se regular, mas sua testa estava ligeiramente franzida, como se, mesmo em sonho, resistisse a algo.
Quando Lucas voltou com o remédio para gripe e um copo de água morna, foi essa a cena que encontrou.
O rosto adormecido da garota parecia especialmente suave sob a luz fraca do carro. A audácia e a perspicácia habituais haviam sido diluídas pelo sono, revelando uma doçura rara.
Ele se sentou no banco do motorista com cuidado para não acordá-la, colocou o remédio e a água no porta-luvas do passageiro e partiu.
Lucas dirigia concentrado, ocasionalmente lançando um olhar de soslaio para a pessoa adormecida ao seu lado, temendo que um solavanco na estrada a perturbasse.
Ele sabia que Geovana, apesar de sua aparência despojada, carregava muita pressão. A insistência da família para que se casasse, o noivado forçado e as mágoas inconfessáveis a tornavam mais cansada do que aparentava.
Ela se espreguiçou, alongando o pescoço rígido, e se virou para Lucas: "Quer subir para tomar alguma coisa?"
"Tome um chá quente antes de ir. Com essa chuva toda, você vai ficar encharcado de novo no caminho de volta."
Lucas olhou para a intensidade da chuva lá fora, depois para o relógio em seu pulso, e balançou a cabeça: "Não, obrigado. Já está um pouco tarde, vou direto para casa."
Ele não queria incomodar o descanso de Geovana, nem queria ultrapassar os limites da amizade. Mesmo que fosse apenas para tomar um chá em seu apartamento, sentia que não era apropriado.
Geovana também não insistiu. Ela ainda estava com sono e só queria tomar um banho e dormir.
"Tudo bem, então. Dirija com cuidado no caminho, vá devagar."
Dizendo isso, ela pegou sua bolsa, abriu a porta do carro e correu novamente para a chuva, entrando rapidamente no prédio.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...