O olhar de Gregório pousou onde ela apontava, e ele franziu levemente a testa: "Deve ter sido a Vitória que mexeu em algo."
Ele fez uma pausa e acrescentou: "Ontem, ela enviou técnicos em nome do parceiro para observar o processo de teste no local. Na hora, pensei que fosse apenas uma inspeção de rotina, não dei muita importância."
"Fui descuidada demais."
A voz de Sófia tinha um tom de autorrecriminação.
Ela deveria ter imaginado que Vitória não ficaria quieta, mas não esperava que ela agisse tão rápido, a ponto de já começar a manipular os dados.
"A culpa não é sua."
Gregório ergueu os olhos para ela, com um olhar firme. "Ela está desesperada por resultados agora, e só vai recorrer a meios cada vez mais desleais."
"Descobrirmos isso agora não é tarde demais."
Ele abriu os dados de backup e começou a comparar e analisar: "Felizmente, eu fiz vários backups antes. Agora só precisamos encontrar os pontos que foram adulterados e recalibrar os parâmetros."
Sófia assentiu e também mergulhou no trabalho.
Ela operava o software com habilidade, acessando os registros de teste e verificando um por um os dados suspeitos.
Os dois trocavam algumas palavras ocasionalmente, mas suas linhas de pensamento estavam incrivelmente sincronizadas. Muitas vezes, um mal tinha proposto uma ideia e o outro já havia pensado na solução subsequente.
O tempo passou sem que percebessem. A noite lá fora ficava cada vez mais escura, mas a luz no escritório permanecia brilhante.
Sófia esfregou os olhos, que começavam a doer, e olhou para Gregório. Ele ainda estava concentrado na tela, com as sobrancelhas levemente franzidas e uma expressão séria.
Ela se levantou, serviu-lhe um copo de água morna e colocou ao seu lado: "Beba um pouco de água antes de continuar. Não se esforce demais."
Gregório pegou o copo. Seus dedos tocaram os dela, sentindo um leve frescor que fez seu coração tremer um pouco.
Ele bebeu um gole de água, e o líquido morno aliviou o ressecamento de sua garganta.
"Está quase pronto."
Ele pousou o copo, sua voz com um toque de alívio. "Já encontrei os três pontos que foram alterados. Depois de recalibrar, amanhã poderemos dar uma resposta ao parceiro."
Gregório desligou o computador, levantou-se e se espreguiçou, seus ossos estalando levemente.
"Está ficando tarde, vá descansar também."
Ele olhou para Sófia, com um tom de voz suave. "Amanhã você ainda tem que levar a Clara ao parque de diversões. Não deixe a criança esperando."
Sófia se lembrou da promessa que havia feito a Clara durante o dia, e um sorriso gentil apareceu em seu rosto: "Certo, descanse cedo também."
Os dois saíram juntos do escritório. A luz do corredor era amarelada e suave. A porta do quarto de Clara estava fechada, e de lá vinha o som de sua respiração regular.
Ao chegar à porta da sala, Gregório parou e se virou para Sófia: "Venho buscar vocês amanhã de manhã."
"Tudo bem." Sófia assentiu e, olhando nos olhos dele, disse seriamente: "Gregório, de agora em diante, não se esforce tanto no trabalho."
"A saúde é o bem mais precioso."
O coração de Gregório foi atingido em cheio. Olhando para a preocupação genuína nos olhos dela, sentiu um nó na garganta.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...