Mas ela nunca pensou que ele também teria sua própria vida, que um dia ele a deixaria.
Daniel se virou, olhando para Renata com um olhar profundo e pesado.
"Senhorita, eu sou apenas o seu guarda-costas." Sua voz permanecia calma, mas com uma rouquidão quase imperceptível. "Proteger a sua segurança é o meu dever."
"Mesmo que eu me case, se você precisar de qualquer coisa, eu ainda estarei à sua disposição."
"Esta vida também é sua."
Renata respirou fundo.
Ela olhou para ele, sentindo-se subitamente impotente.
Palavras como essas, que diferença faziam de uma declaração de amor?
Mas, no entanto, não era isso.
Daniel lhe dava segurança mais do que suficiente; Renata sabia que a vida dele era, de fato, dela.
Mas, além disso, não havia mais nada.
Ela sabia que, não importava o que dissesse, ele não mudaria de ideia.
O silêncio tomou conta do carro.
Renata recostou-se no banco e fechou os olhos.
Não queria mais olhar para ele, nem discutir com ele.
Sentia o peito apertado, como se algo o estivesse bloqueando, uma sensação sufocante.
Depois de um longo tempo, ela abriu os olhos lentamente. Sua voz havia recuperado a calma, mas com um toque de distanciamento: "Pode dirigir. Leve-me de volta à clínica."
Daniel não disse nada, apenas ligou o carro em silêncio.
O veículo se afastou lentamente da Mansão Pacheco, em direção à clínica.
O silêncio persistia no carro, o ar parecia ter congelado.
Renata observava a paisagem urbana passar rapidamente pela janela, a mente em um turbilhão.
Ela não sabia o que sentia por Daniel. Era dependência, costume ou algo mais?
Só sabia que, ao pensar nele se casando, se afastando dela, uma dor inexplicável tomava conta de seu coração.
O carro logo chegou à clínica particular de Renata.
A porta estava entreaberta. Ele bateu duas vezes, levemente.
No instante em que abriu a porta, Daniel parou de repente, desviando o olhar por instinto.
Renata estava enrolada em um roupão de banho branco, os cabelos longos e molhados caíam sobre seus ombros, as pontas ainda gotejando água que deslizava por seu pescoço e desaparecia na gola do roupão, revelando um contorno sutil de sua pele.
Ela tinha acabado de tomar banho, suas bochechas estavam coradas e seus olhos tinham um brilho enevoado, como se estivesse sob o efeito de álcool, desprovida de sua calma e racionalidade habituais.
"O que foi?"
O olhar de Daniel estava fixo no tapete no canto do quarto, sem nunca se erguer.
Renata olhou para o perfil tenso dele, deu dois passos à frente, e o cinto de seu roupão se afrouxou.
"Você não disse que faria tudo o que eu mandasse?"
A garganta de Daniel se moveu, mas ele não falou nada, apenas assentiu em silêncio.
Ao longo dos anos, ele de fato sempre atendeu a todos os seus pedidos, sem nunca contestar.
"Então me ajude a tomar banho."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...