"Tome o remédio primeiro."
Renata se aproximou rapidamente, tirando da maleta os comprimidos que havia preparado e um copo de água morna.
Gregório se esforçou para se sentar, pegou o copo e engoliu os comprimidos.
O medicamento desceu pela garganta, trazendo um breve alívio, mas a dor aguda em suas terminações nervosas continuava a persistir.
"Teve outra oscilação de humor?"
Renata sentou-se na poltrona em frente a ele. "Sua condição está cada vez mais difícil de controlar. Se continuar assim, todo o tratamento anterior terá sido em vão."
Gregório recostou-se no sofá e fechou os olhos, tentando se acalmar por um longo tempo.
Só então ele falou, com a voz rouca: "Não consigo controlar."
Ele pensava que já havia dominado a arte da impassibilidade, mas toda vez que encontrava Sófia Lopes, todas as suas defesas desmoronavam.
As emoções que ele reprimia deliberadamente, as preocupações enterradas no fundo do coração, sempre vinham à tona sem aviso, submergindo-o por completo.
Renata retirou o termômetro e, ao ver o valor, sua expressão ficou ainda mais séria: "Eu já te disse para ficar longe de pessoas que provocam grandes oscilações emocionais em você."
"Antigamente, mesmo que o mundo desabasse, você não perderia a compostura, sempre aparentava ter uma serenidade inabalável."
Gregório abriu os olhos, que revelavam um cansaço e autodepreciação profundos: "Eu sempre *aparentei* ter uma serenidade inabalável."
Ele olhou para Renata, parecendo dizer algo óbvio. "Você sabe melhor do que ninguém que meu coração nunca esteve verdadeiramente em paz."
As crises nas madrugadas, o desespero na solidão, os dias e noites atormentado pela depressão... Renata havia testemunhado tudo.
Ao ouvir isso, a expressão tensa de Renata se suavizou um pouco: "Fico aliviada que você consiga dizer algo assim."
"Meu medo é que você guarde tudo para si. Afinal, esconder tudo é muito mais assustador do que colocar para fora."
Ela já havia visto muitos pacientes que desmoronaram completamente por causa da repressão. O fato de Gregório admitir sua própria vulnerabilidade já era um grande progresso para o tratamento.
Que aquele homem jamais a deixaria.
Gregório observou sua rara perda de compostura.
A Renata que ele conhecia era sempre calma e racional, capaz de lidar com qualquer situação, por mais caótica que fosse. Ele nunca a tinha visto tão abalada.
"É o Daniel?", Gregório perguntou em voz baixa.
Ele tinha uma vaga noção de que, para Renata, Daniel era mais do que um simples guarda-costas.
Ao longo dos anos, a proteção que Daniel oferecia a Renata já havia ultrapassado os limites do dever. Aquele cuidado discreto era evidente para qualquer um que prestasse atenção.
Renata virou o rosto, evitando seu olhar, e seu tom de voz recuperou um pouco da calma: "Quem mais poderia ser?"
Ela não era tola. Não era como se não tivesse percebido os sentimentos de Daniel por ela.
Mas ela se acostumara à sua presença, à sua proteção, e nunca imaginara que um dia ele partiria dessa forma.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...