"Clara, a mamãe quer conversar sobre uma coisa com você."
Sófia sentou-se com a filha no sofá, falando com uma suavidade extra.
Clara piscou seus grandes olhos redondos, as mãozinhas comportadamente sobre os joelhos, olhando para a mãe com atenção: "O que a mamãe quer me dizer?"
"Ultimamente, as coisas lá fora estão um pouco perigosas. A mamãe está pensando em você não ir mais para a escola por um tempo e contratar um professor para te dar aulas em casa. O que você acha?"
Sófia escolheu as palavras com cuidado, tentando não deixar que a preocupação em sua voz assustasse a criança.
Inesperadamente, Clara não respondeu de imediato. Em vez disso, inclinou a cabecinha e perguntou: "Isso é muito importante para a mamãe? Se a mamãe quer que eu faça isso, eu faço."
O coração de Sófia se aqueceu, mas também doeu um pouco. Ela acariciou suavemente os cabelos da filha: "A mamãe está apenas perguntando a sua opinião. A decisão final será baseada no que você pensar."
"É o seu estudo e a sua vida. A mamãe não pode decidir tudo por você."
Clara baixou os olhos e pensou por alguns segundos. Quando ergueu o olhar novamente, havia uma maturidade além de sua idade: "A mamãe já é adulta, então pensa nas coisas melhor do que eu."
"Se a mamãe acha que ficar em casa é mais seguro, então eu quero."
Sófia olhou nos olhos límpidos da filha, com um turbilhão de sentimentos.
Clara era inteligente desde pequena. Com tão pouca idade, já sabia ler as pessoas, percebendo a preocupação da mãe e concordando prontamente com sua vontade.
Mas essa maturidade a fazia sentir uma dor especial no coração.
"Minha boba, não se sacrifique pela mamãe."
Sófia a abraçou, a voz com uma rouquidão quase imperceptível. "Se você não quiser ficar em casa, se quiser ir para a escola com seus amigos, a mamãe vai encontrar uma maneira de te proteger. Não precisa se forçar."
Clara balançou a cabeça em seu abraço e deu tapinhas suaves em suas costas, consolando-a como uma pequena adulta: "Mamãe, eu não estou me sacrificando."
"Ter aulas em casa também é bom. Não preciso acordar cedo para pegar o ônibus escolar e posso passar mais tempo com a mamãe."
Sófia enviou uma mensagem a Gregório, informando que Clara havia concordado em estudar em casa.
Assim que a mensagem foi enviada, a resposta de Gregório chegou, acompanhada de um cartão de contato.
[Ivan, doutor do instituto aeroespacial, especialista em matemática e física, confiável]
Sófia olhou para as informações no cartão e se sentiu um pouco mais segura. Um amigo de Gregório certamente seria competente.
Ela entrou em contato com Ivan e marcou um encontro.
O local escolhido foi uma cafeteria tranquila. Ivan usava uma camisa branca simples e óculos de armação dourada, com um ar refinado.
Ao falar sobre sua filosofia de ensino e o plano de aulas, ele foi claro e organizado, e fez questão de mencionar que ajustaria o ritmo de acordo com a capacidade de aprendizado de Clara. Sófia ficou completamente tranquila e fechou o acordo na hora.
Depois de se despedir de Ivan, Sófia se lembrou de que o aniversário de sua mãe, Wanda Guerra, seria em dois dias e dirigiu até o shopping.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...