De olhos abertos, ela encarava o teto, a mente invadida por todo tipo de suposições aterrorizantes.
Lembrou-se de que a parceria com Parker tinha acabado de ser firmada. Seria um concorrente tentando intimidá-la?
Ou seria Vitória Tavares, que, por causa da discussão mais cedo, havia mandado alguém para assustá-la?
Ou talvez fosse apenas sua sensibilidade excessiva, e tudo não passava de coincidência.
Quanto mais pensava, mais o pânico tomava conta de Sófia.
Ela pegou o celular, pensando em ligar para Lucas Dutra, mas olhou a hora na tela.
Duas e meia da manhã. Ela pousou o celular novamente.
Ligar àquela hora só iria incomodá-los, e se tudo não passasse de sua imaginação, pareceria um exagero.
Ela respirou fundo e caminhou pé ante pé até o quarto de Clara.
Naquele momento, apenas ver que sua filha estava bem poderia lhe trazer um pouco de paz.
A porta do quarto estava entreaberta, com uma pequena fresta.
Sófia a empurrou suavemente. Clara estava deitada de lado na cama, o rostinho corado, os cílios longos, a respiração regular e tranquila.
Ela abraçava com força o boneco de caixa surpresa que havia ganhado na noite anterior, dormindo profundamente.
Sófia se aproximou da cama em silêncio, agachou-se e afastou com delicadeza uma mecha de cabelo da testa da filha.
Ao sentir o calor da pele sob a ponta dos dedos, seu coração aflito finalmente se acalmou.
Clara pareceu sentir algo, moveu os lábios pequenos, murmurou algumas palavras em sonho e encolheu-se um pouco mais sob o cobertor, continuando a dormir em paz.
Olhando para a vulnerabilidade de sua filha, um sentimento agridoce invadiu o coração de Sófia.
Ela sempre quis dar a Clara um lar seguro, mas os acontecimentos estranhos da noite anterior a fizeram perceber que talvez essa segurança não fosse tão sólida quanto imaginava.
Quando o carro saiu da rua da escola, o olhar de Sófia se desviou involuntariamente para o retrovisor interno.
O espelho refletia o trânsito atrás dela; alguns carros seguiam seu curso normalmente, sem nada de estranho.
Mas a sensação de estar sendo seguida não a abandonava, como se um par de olhos estivesse escondido na escuridão, observando cada um de seus movimentos.
Ela apertou as mãos no volante, acelerou instintivamente e, em seguida, freou bruscamente.
Os carros atrás dela também diminuíram a velocidade, mantendo uma distância segura. Ainda assim, nada de anormal.
Sófia franziu a testa. Provavelmente era o resquício do susto da noite anterior que a deixara tão sensível.
Mas, no segundo seguinte, não pôde evitar olhar para o retrovisor novamente.
Respirou fundo, forçando-se a concentrar na estrada à frente, mas a apreensão em seu peito voltava em ondas, fazendo até as pontas de seus dedos no volante ficarem frias.
Dirigiu até o estacionamento da NexGen Tecnologia, com a mente inquieta durante todo o trajeto. Depois de estacionar, Sófia recostou-se no banco e massageou as têmporas latejantes.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...