Sófia acabara de chegar do trabalho. Enquanto pendurava o casaco no cabide da entrada, ouviu o som de passos apressados.
"Mamãe!"
Clara correu e se jogou em seus braços, o rostinho cheio de entusiasmo. "Olha a roupa nova que eu comprei."
Ela se soltou de Sófia e se virou, mostrando a roupa que havia comprado naquele dia.
"Que linda." Sófia sorriu e acariciou seu cabelo. O toque suave dos fios da criança dissipou todo o cansaço do dia.
"Você comprou sozinha?"
O sorriso de Clara diminuiu um pouco, seu olhar tornou-se evasivo e ela baixou os olhos.
"Foi... fui eu e o Enzo que compramos juntos."
Depois de dizer isso, ela abaixou a cabeça, esfregando a ponta do pé no chão, o rosto mostrando hesitação.
Nos últimos dias, ela estava em um dilema. A mãe parecia nunca mencionar Enzo. Da última vez que o encontraram no parque, a mãe apenas acenou educadamente, com um tom de voz distante.
Ela sabia que Enzo era filho da Tia Patricia e também tinha ouvido falar vagamente sobre o envolvimento da Sra. Almeida com seu pai.
Ela temia que a mãe não gostasse de Enzo, que ficasse com raiva se soubesse que ela brincava com ele e que ele havia pago pela roupa.
Sófia percebeu tudo.
As emoções da criança estavam estampadas em seu rosto; a hesitação e a inquietação que ela não conseguia esconder não enganavam sua mãe.
Ela pegou a mão de Clara, sentou-se no sofá e disse com uma voz gentil: "Clara, tem alguma coisa te preocupando? Conte para a mamãe."
Clara franziu os lábios e ficou em silêncio por um bom tempo.
Ela olhou para Sófia e, vendo o olhar gentil da mãe, sem nenhum sinal de impaciência, finalmente reuniu coragem e disse em voz baixa:
"Mamãe, eu... eu perdi minha mesada."
"Hoje, quando fui ao shopping com o Enzo, vi a roupa que eu queria, mas o dinheiro tinha sumido. Foi o Enzo que pagou para mim."
Ela fez uma pausa, sua voz ainda mais baixa: "Eu sei que não deveria ter deixado o Enzo pagar."
"Eu ia juntar minha mesada para pagar de volta, mas não tenho o suficiente agora... Eu não tive coragem de te contar, com medo de que você ficasse com raiva."
Sófia franziu levemente a testa.
Ela não estava com raiva por Clara ter deixado Enzo pagar, mas sim preocupada que a filha desenvolvesse o hábito de gastar o dinheiro dos outros sem pensar.
Mas, ao ver o rostinho vermelho de tensão de Clara, seu coração amoleceu.
Ela se levantou, foi até o quarto, pegou algumas notas da carteira, voltou ao sofá e as entregou a Clara: "Amanhã, devolva o dinheiro ao Enzo e não se esqueça de agradecer."
"Da próxima vez que algo assim acontecer, ligue para a mamãe primeiro. Não podemos incomodar os outros, entendeu?"
Clara pegou o dinheiro, segurando-o com força, e olhou para Sófia com os olhos cheios de surpresa: "Mamãe, você não está com raiva?"
"Com raiva de quê?" Sófia sorriu, abraçando-a e dando tapinhas gentis em suas costas. "Você só perdeu o dinheiro por acidente, não foi de propósito para incomodar os outros. Por que a mamãe ficaria com raiva?"
"Mas... mas o Enzo é filho da Sra. Almeida."
"Claro que pode." Sófia assentiu. "Mas da próxima vez que saírem juntos, tome cuidado. Se acontecer alguma coisa, ligue para a mamãe a qualquer momento."
"Entendi!" Clara exclamou alegremente, pulando nos braços de Sófia e dando-lhe um beijo no rosto. "A mamãe é a melhor!"
Sófia abraçou a criança em seus braços, o coração cheio de ternura.
As desavenças dos adultos não deveriam afetar as crianças. Clara tinha o direito de escolher seus amigos e de ter uma infância despreocupada.
Ela percebeu que havia se apegado demais às mágoas do passado, negligenciando os sentimentos de sua filha.
À noite, depois de dar banho em Clara e vê-la pular na cama com o vestido novo, Sófia sorriu.
Na manhã seguinte, Clara, com a mochila nas costas e o dinheiro que Sófia lhe dera na mão, foi para a escola toda feliz.
Antes de sair, ela ainda disse a Sófia: "Mamãe, hoje eu vou devolver o dinheiro ao Enzo e agradecer a ele!"
Sófia sorriu e acenou: "Cuidado no caminho."
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No escritório da equipe de projeto do Grupo Speed.
Sófia estava passando as tarefas.
Ela ergueu os olhos para Vitória, do outro lado da mesa, e disse com clareza: "Os parâmetros de interface do terceiro módulo foram ajustados na semana passada. É preciso ter atenção à compatibilidade ao conectar com o sistema da Parker. Salvei o registro de testes no drive compartilhado, com o arquivo marcado como ‘Urgente’."
Vitória, sentada em sua cadeira, batia os dedos distraidamente na mesa, seu olhar passando pelo documento com certa impaciência: "Eu já sei de tudo isso, não precisa explicar com tantos detalhes."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...