Seu tom não era frio nem caloroso, sem raiva nem mágoa, como se as palavras de Vitória se referissem a algo que não lhe dizia respeito.
Mas foi justamente essa calma que, como uma agulha, feriu Vitória profundamente.
Ela esperava que Sófia ficasse com raiva, que se defendesse, que até mesmo discutisse com ela. Mas a reação de Sófia a fez se sentir como uma palhaça fazendo um espetáculo.
"Não se faça de inocente aqui!" A voz de Vitória se elevou, atraindo os olhares de alguns pacientes ao redor. "Você acha que eu não sei o que você está pensando?"
"Você estava torcendo para que as coisas entre mim e o Gregório dessem errado, torcendo para que nosso filho se fosse, para que você pudesse se aproveitar da situação!"
Sófia suspirou suavemente, guardou as agulhas de tricô, a voz um pouco cansada. "Vitória, entre mim e o Gregório, nesta vida, não há mais nenhuma possibilidade."
"Você não precisa me ver como uma inimiga imaginária. Realmente não há necessidade."
Ela fez uma pausa, olhando para a agitação de Vitória, e continuou: "Agora, eu só quero cuidar da minha saúde, cuidar bem da Clara e fazer o meu trabalho na NexGen."
"O que acontece entre você e o Gregório não me diz respeito, e eu não tenho energia para me importar com isso."
Dito isso, Sófia se virou para ir embora, mas Vitória a segurou pelo pulso. "Espere aí! Explique-se! O que quer dizer com ‘não me diz respeito’?"
"Se não fosse por você, eu e o Gregório já estaríamos casados há muito tempo. E agora você volta para atrapalhar. Qual é a sua intenção?"
Sófia franziu a testa e se soltou com força. "Vitória, acalme-se."
"Gregório e eu estamos divorciados. Tudo entre nós acabou há muito tempo."
"Se você realmente se importa com o Gregório, deveria conversar com ele, em vez de vir criar problemas para mim."
Depois de falar, Sófia não olhou mais para ela e caminhou direto para o prédio de internação.
A enfermeira ao lado ouviu o barulho e entrou apressada para verificar. Ao ver a bagunça no chão, ficou com medo de falar.
Vitória apontou para a porta e gritou para a enfermeira: "Saia! Não fique aqui me olhando!"
A enfermeira, sem alternativa, retirou-se e ligou para Bruno.
Bruno estava apresentando um relatório a Gregório quando recebeu a ligação. "Diretor Pacheco, a Srta. Tavares está furiosa no quarto, dizendo que se o senhor não for vê-la, ela vai romper o noivado. Ela também quebrou várias coisas."
Gregório franziu a testa, o tom de voz calmo, sem qualquer traço de emoção. "Que seja."
Bruno ficou surpreso, pensando ter ouvido errado. "Diretor Pacheco, o que o senhor disse?"
"Eu disse, que seja." A voz de Gregório permaneceu impassível. "Se ela quer romper o noivado, que rompa."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...