—
As luzes da sala de emergência do hospital eram ofuscantemente brancas. Lucas amparava Sófia, sentada em um banco. Seu rosto estava mais pálido que a parede, a franja molhada de suor frio, colada à pele.
No carro, momentos antes, Sófia fora acometida por uma dor abdominal súbita e insuportável, encolhendo-se no banco de trás, coberta de suor frio. Lucas não hesitou, avançando sinais vermelhos para levá-la ao hospital.
"Doutor, ela está grávida. Já havia mencionado que planejava fazer um aborto, e hoje teve essa dor abdominal repentina. Por favor, examine-a rápido." Lucas puxou o médico de plantão.
O médico franziu a testa, indicando que Sófia se deitasse na maca. Após um exame rápido, ele voltou com os resultados do laboratório, a voz séria: "Dor abdominal no início da gravidez, somada ao seu histórico de enjoos severos, seu corpo já está debilitado. Fazer um aborto agora apresenta um risco maior do que o normal."
Ele fez uma pausa, olhando para Sófia. "Você tem certeza de que não quer este bebê? Se quiser mantê-lo, podemos iniciar imediatamente o tratamento para evitar o aborto espontâneo."
Sófia, deitada na maca, olhava para a lâmpada do teto com um olhar vazio. A lâmpada emitia um zumbido, como se inúmeros insetos rastejassem em seus ouvidos.
Ela ficou em silêncio por alguns segundos, a voz rouca como uma lixa: "Tenho certeza de que não o quero."
Estas quatro palavras foram ditas suavemente, mas pesavam como uma pedra de mil quilos em seu coração. Desde que descobrira a gravidez, ela se atormentara inúmeras vezes nas noites insones.
Manter o bebê significaria enfrentar sozinha a pressão de criar dois filhos, lidar com os comentários alheios e se preocupar com as perguntas que a criança faria sobre o pai quando crescesse.
Mas, ao pensar em desistir, a mão que repousava sobre seu ventre sentia uma conexão inexplicável que apertava seu peito.
O médico não insistiu mais e prescreveu um medicamento: "Tome este comprimido primeiro e fique em observação por meia hora. Se tudo estiver bem, agendaremos a cirurgia para amanhã."
Lucas voltou com o remédio e um copo de água morna, sentou-se ao lado da cama e ofereceu a Sófia: "Tome o remédio primeiro. O médico disse que vai aliviar a dor."
Sófia pegou o copo, a outra mão tocando inconscientemente o abdômen.
Através do tecido fino da roupa, ela quase podia sentir a pequena vida pulsando suavemente, fraca, mas real.
Naquele momento, seu coração se contraiu violentamente, como se uma mão invisível o apertasse, uma dor tão forte que seus olhos se encheram de lágrimas instantaneamente.
Ela se lembrou de sua primeira gravidez, quando também acariciava a barriga com o mesmo cuidado. Gregório a abraçava por trás, o queixo apoiado em seu ombro, sussurrando: "Nosso filho certamente será muito inteligente."
Ela estava em um momento de ascensão em sua carreira, e realmente não era a hora certa para ter um filho.
Lucas, sentado ao lado da cama, observava seus ombros tremerem, o coração cheio de pena.
Ele conhecia a angústia de Sófia, sua impotência.
Queria confortá-la, mas não sabia o que dizer. Apenas deu um leve tapinha em suas costas.
"Sófia, tudo isso vai passar."
Sófia fechou os olhos.
Ela não sabia se sua decisão estava certa ou errada, apenas sabia que, no momento, era a única escolha que podia fazer.
***

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...