O olhar de Sófia encontrou o de Gregório no ar por um breve momento; aqueles olhos permaneciam profundos.
Ela franziu os lábios, desviou o olhar sem qualquer hesitação e passou a mão pela cabeça de Clara, seu tom suave. "Clara, vamos para casa."
Lucas naturalmente pegou a mochila de Clara, abriu a porta do banco de trás e ajudou mãe e filha a entrarem.
Ele deu a volta para o assento do motorista e, antes de entrar, olhou deliberadamente para o carro de Gregório.
A janela estava fechada, não se podia ver a pessoa lá dentro, mas era possível sentir aquele olhar que atravessava o vidro, carregado de um peso complexo.
Lucas não se demorou, desviou o olhar e ligou o carro.
O carro se afastou lentamente do portão da escola.
O interior do carro estava silencioso.
Lucas olhou pelo retrovisor para o banco de trás. Sófia estava de cabeça baixa, ouvindo Clara contar sobre as coisas divertidas da escola, como se o episódio no portão nunca tivesse acontecido.
"A presença dele aqui não é coincidência."
Lucas quebrou o silêncio, a voz firme. "Neste momento, ele acabou de anunciar o reinício do projeto do caça 07 e veio à escola perguntar sobre a Clara. Receio que não seja tão simples."
Os movimentos de Sófia hesitaram por um momento, mas logo voltaram ao normal. Ela ajeitou uma mecha de cabelo da testa de Clara, o tom indiferente. "Isso não me diz mais respeito."
Essas poucas palavras, como um muro invisível, bloquearam completamente Gregório de seu mundo.
Ela não era ingênua ao ponto de não entender o que Lucas queria dizer, e sabia que a aparição de Gregório poderia ter algum propósito, mas estava cansada demais para se envolver novamente com pessoas e coisas do passado.
Agora, ela só queria cuidar bem da filha, focar nos projetos de pesquisa da NexGen e viver sua vida tranquila.
No banco de trás, Clara mordeu o lábio, suas pequenas mãos apertando com força o certificado de primeiro lugar no teste de matemática, sem dizer nada.
Em sua pequena cabeça, ela também estava pensando naquele carro, naquele pai que não via há muito tempo.
Sem o pai, parecia que não fazia grande diferença. Ela ainda podia ser muito feliz.
O carro entrou no condomínio familiar. Lucas estacionou e foi o primeiro a descer para abrir a porta de trás.
Clara saltou do carro, segurando a mão de Sófia com uma mão e a de Lucas com a outra, caminhando saltitante em direção ao prédio.
A pequena melancolia de antes já havia se dissipado, e ela já estava falando sobre o estrogonofe de frango que comeria à noite.
Olhando para as costas alegres da filha, o coração de Sófia se aqueceu.
Ela se virou para Lucas, os olhos cheios de gratidão. "Lucas, obrigada."
Lucas sorriu e afagou o cabelo dela. "Precisa me agradecer?"
"Subam logo. Vou ao mercado comprar o creme de leite e os cogumelos para mostrar meus dotes culinários para a Clara esta noite."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...