Toda a atenção dele era direcionada ao bebê no ventre dela, não a ela.
Se Arthur Diniz sentisse de fato alguma compaixão ou afeto por ela, não a teria encurralado daquele modo, tirando-lhe toda a liberdade.
Beatriz mordeu o lábio inferior e entrou diretamente no carro.
Após acomodar-se, Arthur Diniz quebrou o silêncio:
— Eu chamei a Dona Ema para cuidar da sua rotina e alimentação. Se não gostar dela, posso contratar outra pessoa.
Beatriz negou com a cabeça:
— Não precisa se incomodar. A Dona Ema está ótimo.
A sua mão repousava suavemente sobre a barriga.
Ela estava radiante com a chegada daquela criança.
Contudo, havia algo que ainda lhe pesava no coração.
Beatriz fixou o olhar em Arthur Diniz:
— A gravidez já está confirmada. Quando você me devolverá o patrimônio dos Cavalcante?
Ela cobrava dele a promessa feita outrora.
As mãos de Arthur apertaram o volante. O seu tom de voz era imperturbável:
— Qual é a pressa? No momento certo, eu entregarei tudo a você naturalmente.
— Quando é que eu menti para você? Tudo o que te prometi, eu cumprirei.
Beatriz riu, como se houvesse ouvido a maior das anedotas.
Não se dignou a discutir, apenas comprimiu os lábios:
— Então, preciso de um prazo ou de um contrato. Senão, como poderei ter o filho com a mente tranquila?
Os olhos de Arthur escureciam a cada palavra. Virou a cabeça, observando a frágil mulher ao seu lado:
— E se o patrimônio do seu pai não estivesse em jogo, você não daria à luz essa criança? Já está grávida; vai abortar o nosso filho pela terceira vez?
A sua voz já não guardava calma alguma.
Beatriz rebateu, fitando-o:

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