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A Esposa Invisível romance Capítulo 355

Beatriz sabia que não devia importar-se com essas coisas.

As amantes número três, quatro ou quantas mais que ele mantivesse lá fora não diziam respeito a ela.

Mas, naquele exato momento, ela sentia apenas um mal-estar profundo e sufocante lhe apertando o peito.

Beatriz respirou fundo.

Talvez devesse procurar Arthur Diniz para ter uma conversa franca.

Os dois não deviam continuar com aquele eterno duelo de agulhas e espadas; quando aquilo tudo teria fim?

Agora, a criança já existia.

Eles não podiam amar um ao outro, nem aguardar a chegada do bebê como um casal comum e apaixonado; contudo, a criança pelo menos merecia ter pais que mantivessem uma relação saudável e harmoniosa.

Caso contrário, o desenvolvimento dela certamente estaria comprometido.

Se havia decidido prosseguir com a gravidez, então precisava ser responsável pelo futuro do bebê.

Beatriz deu um longo suspiro. Originalmente, a sua ideia era comprar uma passagem e voltar para o exterior naquela mesma noite. Contudo, perante esses acontecimentos, eles precisavam ter uma conversa séria.

Por isso, ligou para Arthur.

Do outro lado da linha, o telefone foi atendido rapidamente, mas ele manteve-se calado, sem dizer uma palavra.

Beatriz também ficou em silêncio.

Foi um instante de cumplicidade totalmente inútil.

Ela mordeu de leve o lábio:

— Pode falar agora? Posso voltar para casa? Queria conversar com você sobre um assunto.

Arthur franziu as sobrancelhas.

Quando ele mandou que ela fosse embora, ela partiu sem hesitar; e agora tinha algo para conversar com ele?

Ele logo intuiu que não devia ser nada agradável.

Sempre que ela queria falar com ele, não passava da vontade de ir embora, do desejo de não retornar ao país.

O tom de voz do homem revelava uma certa impaciência:

— Não.

Após proferir essa única e gélida palavra, a chamada foi abruptamente desligada na sua cara.

A respiração de Beatriz falhou, e ela ainda estava a tentar processar a rejeição.

Claro.

Por que ele estaria disponível?

Talvez aquele telefonema tivesse estragado um momento íntimo entre os dois, do contrário, por que o seu tom soaria tão exasperado?

Beatriz continuou a olhar inerte para a tela do celular, que indicava a chamada encerrada, presa num silêncio profundo durante muito tempo.

A criança que ele desejava tinha chegado.

Mas ele recusava-se a conversar.

Muito menos queria falar com ela, afinal, ele estava a divertir-se nos braços de outra mulher.

Beatriz curvou os lábios num sorriso amargo.

Aquele casamento permanecia arruinado e em frangalhos, tal como sempre fora.

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