— Por acaso os meus olhos viram uma ilusão? — Arthur sorriu com desdém. — Agora você usa a sua amiga como escudo? Por ela estar presente, isso significa que não há nenhuma possibilidade de acontecer algo entre você e ele, não é?
Beatriz respirou fundo, fechou as mãos e evitou olhar nos olhos dele:
— Você se importa com isso?
— Beatriz, você é a minha esposa. — Arthur segurou o queixo dela, forçando-a a encará-lo. — Você flerta com homens lá fora e acha que eu não posso me intrometer?
— Não se esqueça do que me prometeu no Cruzeiro Imperial Gold, nem dos documentos que assinou.
— Eu não esqueci.
— Certo... você não esqueceu. — Arthur soltou o rosto dela bruscamente e jogou um frasco de pílulas e um relatório sobre ela. — Então me diz o que é isso? Fingindo obedecer na minha frente enquanto me trai pelas costas, me fazendo de idiota e tomando pílulas anticoncepcionais escondida.
Beatriz olhou para os próprios remédios, as pupilas tremendo. Suas mãos se fecharam em punhos. Ele tinha... descoberto.
Arthur fitou o rosto delicado dela, observando cada mudança de expressão, sem deixar passar nenhum detalhe.
— Pensei em nem cobrar explicações sobre as mentiras de que você não podia engravidar quando descobri as pílulas. Cheguei a sentir pena de você, decidi te dar tempo, esperando que você quisesse engravidar quando estivesse pronta.
O olhar do homem era opaco, quase exalando um desespero indescritível.
Sua voz, fria e baixa, manteve-se serena:
— E você? O que você fez?
Quanto mais calmo, maior era a decepção.
— Eu continuo sendo bom demais para você, complacente demais. — Arthur continuou. — Fiz você acreditar que ainda tinha chances de se encontrar às escondidas com Felipe Valente. Você quer cometer adultério, é isso?
Beatriz ergueu o olhar e retrucou:
— Não foi você quem cometeu adultério primeiro?

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