Sabendo que Beatriz apareceria, Daniel Ventura já a esperava no hospital.
No escritório.
Ele usava roupas informais simples, mas parecia ter adquirido uma profundidade serena.
Talvez por causa do noivado, transpirava uma aura madura, tipicamente masculina.
— Enquanto você esteve ausente o hospital continuou funcionando muito bem, não se preocupe.
Beatriz sorriu:
— Só espero que, depois que voltar da minha especialização, possamos torná-lo ainda maior e melhor.
Daniel retribuiu o sorriso, de maneira branda:
— Vamos deixar isso para lá. É a primeira vez que nos encontramos desde que você voltou.
— Ouvi dizer... que se casaram de novo. — Os olhos de Daniel expressavam certa melancolia. — Ele a trata bem? Continua sendo o que sempre foi?
Beatriz baixou o olhar:
— Se ele me trata bem ou não, isso já não afeta mais a minha vida.
— Eu já não sou a mesma de antes; minhas expectativas não se baseiam mais na atitude dele. Perdi todo o afeto que tinha por ele, o nosso casamento é apenas uma transação, mais nada.
Ela havia compreendido perfeitamente como as coisas funcionavam.
— A verdade é que o seu irmão não gostaria de vê-la se sacrificando por ele, e eu também não quero isso... — O pomo de adão de Daniel se moveu. — Se em algum momento se arrepender, diga-me. Eu te ajudo a fugir dele.
— Como assim? Acabei de voltar a me casar com ele. Seria um longo processo de divórcio. Você me ajudaria a fugir de casa?
Beatriz riu, brincando.
Mas o rosto do homem revelou uma sinceridade inesperada:
— Se for do seu desejo, não vejo o menor problema.
Ela estancou por um momento.
— Não brinque com isso. Somos todos adultos.
Um adulto sempre deveria arcar com as consequências de suas escolhas.
Naquele dia, os novos equipamentos do hospital haviam chegado.
Fora obra de Arthur.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Esposa Invisível