Na verdade, no dia em que Arthur tornou público seu relacionamento com Sophia, o coração dela já havia morrido para ele e foi ali que ela pediu o divórcio.
Tudo o que permanecia vivo em seu coração, sem nunca se apagar, não passava de uma obsessão da juventude.
— Ainda há tempo de dar a volta por cima. — Felipe observou a expressão no rosto dela. — O Daniel me contou que desde a época da faculdade ele correu atrás de você por muito tempo, por que você nunca lhe deu uma chance?
— Ele é um bom homem.
A expressão no rosto de Beatriz era de distração.
Naquela época, ela era completamente apaixonada por Arthur, como poderia ter espaço em seus olhos para outra pessoa?
Os seres humanos são assim mesmo: sempre desejam aquilo que não podem ter.
— Eu que era cega. — Beatriz sorriu. — Felizmente, agora ele também encontrou o seu destino e deve estar prestes a se casar com a Clara.
Felipe arrumou a comida, passou os garfos para Beatriz e a encarou de maneira tranquila, com o olhar fixo nela:
— Enquanto não houver casamento, nada é definitivo. Ele não gosta da Clara.
Beatriz não entendeu o que ele queria dizer.
Se não gostava, por que havia ficado noivo?
Os homens eram capazes de ficar noivos e se casar com mulheres das quais não gostavam? Assim como tinha sido com Arthur no passado...
— Então, ele também foi forçado pela família? — Beatriz olhou para Felipe. — Eu estive na casa deles e a relação dele com a Clara parecia ser muito boa.
Felipe sorriu, lançou-lhe um olhar profundo e não continuou o assunto.
Ele disse:
— Vamos deixar isso de lado, e quanto a você? Está na mesma faculdade que a Sophia. Você começou as aulas há poucos dias, se quiser mudar de escola, ainda dá tempo.
Afinal, o que os olhos não veem, o coração não sente.
A mão de Beatriz, que segurava os garfos, parou no ar.

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