Arthur Diniz olhou para o rosto dela; calmo e natural, não parecia estar mentindo.
Ele assentiu levemente e serviu a ela mais uma tigela de sopa de frango.
Após o jantar, já passava das nove da noite.
A avó e os demais gostavam muito de Beatriz, seguraram-na para conversar por muito tempo, e tudo só terminou quando Arthur interrompeu, dizendo que Beatriz precisava descansar.
Por volta das dez horas eles saíram da Mansão Diniz; a noite estava avançada e o orvalho, pesado. Uma lufada de vento gelado a atingiu, e Beatriz estremeceu levemente.
No segundo seguinte, Beatriz sentiu um peso sobre os ombros; Arthur havia coberto as costas dela com seu sobretudo. O casaco quente trazia um aroma fresco e inconfundível que ele exalava, extremamente agradável.
Com o coração disparado, ela ergueu os olhos para ele e encontrou o olhar tranquilo do homem, que disse: — Não deixe o bebê passar frio.
Ela apertou os lábios, baixou os olhos e, silenciosamente, abriu a porta e entrou no carro.
Às vezes, em seus devaneios, Beatriz chegava a sentir que ele gostava dela...
Mas, ao compará-la com Sophia Lemos, ficava claro que aquilo não era de forma alguma amor. Era apenas ele esbanjando de bom humor e paciência, dando-lhe o luxo de ser tratado com alguma decência esporádica.
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Naquela noite.
Beatriz voltou para dormir na Cobertura Diniz, seu antigo lar conjugal.
Havia voltado muito tarde e, com medo de acordar a mãe, decidiu não retornar ao apartamento alugado.
— Vou dormir no quarto de hóspedes. — Beatriz, ciente de si, caminhou para o quarto de hóspedes.
Mas foi parada pela grande e quente mão do homem que segurou seu pulso. Beatriz virou a cabeça para olhar para ele.
Arthur disse: — Durma no quarto principal.
— Nós somos casados, precisa mesmo fazer esse drama e dormir em camas separadas?
Beatriz respirou fundo, sentindo um pouco de pena de Sophia, que estava longe no exterior.
— Arthur, você tem noção de que essa sua atitude é como manter os pés em dois barcos ao mesmo tempo? — Beatriz o encarou com os olhos frios. — A sua namoradinha conseguiria suportar que você durma na mesma cama que eu?
O homem olhou para ela, com um sorriso surgindo no fundo dos olhos, e respondeu com aparente interesse: — A Sra. Diniz ainda tem ânimo para se preocupar com ela?

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