Beatriz Cavalcante havia acabado de pegar o resultado do seu exame de gravidez quando viu a notícia de que Arthur Diniz estava declarando seu amor para sua nova namorada.
A tela exibia uma cena animada; fogos de artifício iluminavam o céu, criando uma atmosfera festiva, enquanto a multidão os empurrava para perto um do outro.
O homem estendeu o braço para proteger a garota, que, por sua vez, acariciava delicadamente o próprio ventre.
— Hoje é o meu aniversário, você tem algo a me dizer? — A garota perguntou com um tom dengoso.
— Depois de conhecer você, todas as outras pessoas se tornaram apenas uma distração.
— Então, eu também tenho um segredo para te contar...
A multidão aplaudiu e fez alvoroço.
A garota sorriu satisfeita, enquanto seu parceiro, naquele momento, transbordava de carinho pelo olhar.
Ela brincava, e ele sorria.
Em cinco anos de casamento, Beatriz nunca o tinha visto tão gentil; a cena com a qual ela sempre sonhou agora se desenrolava vividamente diante dos seus olhos.
De repente, sentiu que a casa estava muito fria, tão fria que seus dentes batiam.
O banquete que ela levara metade do dia para preparar parecia, naquele instante, uma verdadeira piada.
Supondo que o homem não voltaria, ela guardou a comida já fria, decidida a dá-la para os cachorros no dia seguinte.
Por volta das três da madrugada, o homem, que deveria estar em um momento romântico com a namoradinha, retornou.
Beatriz reconheceu o som dos passos dele. No quarto imerso na escuridão, sem que as luzes fossem acesas, ela sentiu a cama afundar levemente.
O homem recém-chegado a abraçou por trás, exalando um forte cheiro de álcool:
— Senti sua falta...
O som da chuva lá fora era barulhento; a voz dele soou confusa e rouca, e ela não conseguiu distinguir as últimas palavras que ele murmurou.
Por trás, ele beijou o lóbulo da sua orelha e o seu pescoço. O hálito quente lhe causou arrepios, transbordando um afeto profundo e uma gentileza extrema.
Ao longo de cinco anos, a única harmonia entre eles estava na cama, de modo que ela sabia exatamente o que ele pretendia fazer naquele momento.
No entanto, ao se lembrar de que aqueles braços haviam acabado de abraçar outra mulher, ela cerrou os dentes e tentou afastar Arthur.
O homem a segurou firmemente pela cintura, tomado pelo desejo. Ele enterrou o rosto na curva do pescoço dela, a voz rouca pela embriaguez:
— Amor, você se importa comigo, não é?
Um trovão estrondou e um raio cortou o céu, iluminando por um instante, através da janela, a palidez do rosto angustiado de Beatriz.
Ele nunca a chamava assim.
Ele a havia confundido com alguém; ele a tomara por Sophia Lemos, a jovem namorada que acabara de assumir publicamente.
Beatriz esticou a mão e acendeu a luz do quarto, iluminando todo o ambiente.
— Olhe bem, eu não sou a Sophia. Se quiser enlouquecer, vá procurá-la.
O homem abriu os olhos turvos e a fitou. A mulher à sua frente tinha um semblante pálido e frio, sem um pingo da vitalidade jovem, da pureza e da obediência de Sophia.
Ao ouvir isso, o olhar de Arthur escureceu no mesmo instante, como se aquelas palavras lhe causassem uma repulsa profunda:
— Então aborte. Não seria a primeira vez.
Essa única frase derramou um gelo em todo o corpo de Beatriz, parecendo congelar o sangue em suas veias.
As mãos de Beatriz agarraram o lençol com tanta força que as juntas dos dedos ficaram brancas. Cada respiração puxava o ar causando uma dor física no seu coração.
Casada havia cinco anos, ela amava Arthur havia exatos oito. Porém, aos olhos dele, o casamento dos dois, desde o início, fora movido apenas por interesses.
A família de Beatriz havia ruído, seu pai fora falsamente acusado, a mãe sofreu um choque que a deixou de cama para sempre, e o irmão sumira após um acidente de carro.
Para Arthur, ela não passava de uma mulher que rastejara até a cama dele pelo seu dinheiro, apenas para salvar o hospital do seu pai.
Ao vê-la em silêncio, as nuvens negras se adensaram no olhar de Arthur.
— Você sabe muito bem que o título de Sra. Diniz que você ocupa terá de ser entregue mais cedo ou mais tarde.
— Qualquer uma pode ter um filho de Arthur Diniz, menos você.
Até depois de o homem sair batendo a porta, Beatriz permaneceu sentada na cama, remoendo aquelas palavras como se não as tivesse compreendido de imediato.
Contudo, ao pensar e repensar, apenas o choro apavorado da garota no telefone ecoava em sua mente.
De repente, o toque do celular ecoou. Beatriz moveu levemente os dedos e atendeu.
— Dra. Cavalcante, uma jovem grávida sofreu uma queda, e a situação é complexa. A senhora poderia vir ao hospital?

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