Ao sair do banho, vencida pelo cansaço das poucas horas dormidas, Vivienne sucumbe à cama convidativa. Quando desperta sobressaltada, a noite já caiu. A luz suave da lua atravessa as cortinas entreabertas, iluminando o quarto com uma calma quase irônica diante de sua pressa repentina. Seus dedos tocam o cobertor que agora a cobre, e um sorriso involuntário brinca em seus lábios.
— Ah, Dominic! — Vivienne resmunga, dividida entre gratidão pelos cuidados que ele insiste em prestar e irritação por sua teimosia. Ela lança um olhar rápido ao relógio na parede, que marca quase sete da noite.
Vivienne ajeita os cabelos ainda úmidos, descalça, seus passos ecoando baixos no piso de madeira, enquanto se dirige à sala. O ambiente está arrumado, quase meticulosamente, o que imediatamente chama sua atenção.
— Espere que nossos filhos não puxem a sua teimosia. — Murmura, revirando os olhos, enquanto xinga mentalmente Dominic por sua incapacidade de seguir instruções simples. Um suspiro frustrado escapa de seus lábios ao pensar em como ele ignorou todas as recomendações médicas. No entanto, enquanto reflete sobre o que poderia mantê-lo preso na cama, um pensamento ousado surge como um raio inesperado, tão vívido que a faz arregalar os olhos. O calor sobe instantaneamente para o rosto e suas mãos voam para cobrir as bochechas quentes. — Ah, pelo amor de Deus, Vivienne! — Exclama para si mesma, ainda se recriminando pela ousadia dos próprios pensamentos, enquanto balança a cabeça, tentando afastá-los. Determinada a ocupar a mente, caminha para a cozinha, onde a praticidade toma o lugar das emoções conflitantes.
Com movimentos ágeis, quase automáticos, ela começa a preparar uma refeição leve, optando por um caldo simples, mas nutritivo. As instruções de Louis ecoam em sua mente, proteínas leves, vegetais ricos em nutrientes, líquidos suficientes. Sua mão trabalha com precisão ao cortar os ingredientes, garantindo que tudo seja higiênico e equilibrado. Cada movimento parece aliviar um pouco a tensão que carrega, e, à medida que o aroma reconfortante do caldo enche a cozinha, ela sente uma calma surpreendente se instalar.
Organizar a bandeja torna-se um ritual. Duas tigelas fundas com alças, uma para ele, outra para ela. Colheres dispostas com cuidado, dois copos de suco de laranja natural, outro de água, e os remédios dispostos exatamente como Louis prescreveu. Tudo está impecável, cada detalhe meticulosamente preparado, como se aquele pequeno gesto pudesse compensar sua incapacidade de ajudá-lo de outras formas.
Ao entrar no quarto, ela o encontra adormecido. A luz suave do ambiente destaca o contraste entre o Dominic usualmente altivo e a figura serena que descansa ali. Ele parece mais tranquilo, quase vulnerável, como se o peso de suas defesas habituais tivesse caído com o sono. Vivienne pausa por um momento, o coração apertando no peito sem que ela consiga explicar exatamente por quê.
Colocando a bandeja cuidadosamente na cômoda ao lado da cama, ela se senta ao lado dele. Seus olhos percorrem seu rosto, os detalhes que ela nunca havia permitido a si mesma observar tão de perto, a linha forte do maxilar, suavizada agora pelo relaxamento, os cílios escuros que contrastam com a pele. Há algo profundamente humano em vê-lo assim, despido de qualquer máscara, e isso a deixa inquieta.
— Por que você sempre tem que complicar tudo? — Murmura, baixinho, mais para si mesma, enquanto o observa. A ternura que sente é involuntária, e a preocupação que cresce em seu peito é impossível de ignorar. Ela estende a mão, hesitando por um instante, antes de repousá-la suavemente sobre a dele. — Eu só queria entender você, Dominic. Só isso. — Sussurra, o calor de sua mão contra a dele, oferecendo um conforto silencioso, mesmo que ele não saiba disso. — Dom! — Chama, suavemente, tocando seu ombro com delicadeza. Quando ele não responde, soltando apenas um resmungo baixo, ela insiste, agora um pouco mais firme. — Dom, acorde! Hora do jantar.
Ele se mexe devagar, os olhos piscando lentamente antes de finalmente abrir, o olhar pesado com o sono. Por um momento, seus olhos encontram os dela, e o cansaço que o envolvia parece dar lugar a algo mais suave, mais profundo, algo que ele não diz. Sem pensar, ele estende a mão, os dedos tocando o rosto dela com uma ternura que faz seu coração acelerar involuntariamente.
— Você está se sentindo melhor? — Pergunta, a voz baixa, quase um sussurro, enquanto sua pele responde ao calor dos dedos dele em sua bochecha.

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