Sua consciência oscila perigosamente, a escuridão ameaça engoli-lo num abismo sem fim, mas um pensamento atravessa sua mente. Vivienne e seus filhos precisam dele e falhar não é uma opção. Seus olhos encontram a caixa, perturbadoramente intacta no banco do passageiro, sua presença, uma provocação silenciosa que o impulsiona.
Com dedos que tremem incontrolavelmente, toca a testa sentindo o sangue quente e viscoso escorrer. Sem se importar com a destruição do tecido fino, usa a manga da camisa para limpar o líquido que não para de fluir. Força-se a se ajeitar no banco, recostando a cabeça, enquanto sente sua mente explodir em ondas de dor e sua respiração tornar-se um exercício cada vez mais difícil. Os sons ao redor se transformam numa sinfonia caótica de vozes e buzinas.
Fecha os olhos, tentando conter a vertigem que ameaça dominá-lo, e num movimento desesperado vasculha o porta-luvas atrás de qualquer coisa que amenize a dor lancinante. Encontra um comprimido que engole a seco, enquanto punhos impacientes continuam martelando sua janela e vozes histéricas exigem sua atenção. No espelho retrovisor, examina o estrago, a batida, embora relativamente leve, foi suficiente para castigar ainda mais seu corpo já consumido pela febre.
— Tudo bem. — Dominic resmunga, entre dentes, passando novamente a manga pela testa que não para de sangrar. — Poderia ser pior. — Murmura, lutando contra o cinto de segurança que parece querer mantê-lo prisioneiro.
Ao abrir a porta, é atingido por uma onda ensurdecedora de vozes e perguntas que sua mente cansada não consegue processar. Apoiando-se precariamente na porta, desce do carro para enfrentar uma multidão de olhares acusadores, plenamente consciente de sua própria imprudência.
— Você está bem? — Uma voz grave corta através do caos, aproximando-se com urgência mal disfarçada.
— Não se preocupe. — Responde, num sussurro que mal esconde a dor, cada músculo de seu corpo gritando em protesto ao primeiro passo.
— Você estava tentando se matar? — O homem berra, sua voz explodindo na cabeça de Dominic como uma granada. — Ou pior ainda, tentando matar alguém? — Indaga, obrigando Dominic a encará-lo, reconhecendo nele o motorista que quase se tornou sua vítima.
— Minhas mais sinceras desculpas. — Pronuncia, examinando os danos superficiais no veículo. O impacto contra o volante foi forte devido à frenagem violenta, mas a colisão em si não passou de um incidente menor, sequer suficiente para acionar os sistemas de segurança.
— Como se palavras vazias de arrependimento resolvessem alguma coisa. — O homem desdenha, fazendo Dominic arquear uma sobrancelha, enquanto limpa mais sangue da testa com desgosto evidente. — Uma desculpa não apaga o fato de que você quase me mat...

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