Vivienne pousa suas mãos, delicadamente, sobre as dele, seus olhares se encontrando com uma intensidade que transcende o mero desejo físico. Ela se inclina lentamente em sua direção, seus olhos fixando-se nos lábios dele com desejo contido.
— Senhorita, o cal… — Silvia começa, mas sua voz falha por um breve instante ao avistar Dominic. — O caldo está pronto, senhores. — Conclui, com a mesma discrição impecável de sempre, suas mãos unindo-se atrás das costas enquanto mantém uma postura respeitosa. Seus olhos desviam rapidamente, percebendo a proximidade entre os dois, mas ela não permite que qualquer emoção escape de seu semblante profissional. — Gostariam que fosse servido agora? — Acrescenta, sua voz cuidadosamente neutra, tentando dissipar o ar carregado no ambiente.
— Agradeço sua atenção, senhora Valens. — Vivienne responde, com a voz gentil, um sorriso educado, suavizando suas feições. — Por gentileza, sirva-o à mesa.
— Como desejar, senhorita. — Responde, com um leve aceno de cabeça, sua postura impecável, refletindo o profissionalismo de sempre. Sem fazer menção a qualquer hesitação, ela se retira do ambiente com passos firmes e silenciosos, como se deixasse espaço para a intimidade evidente entre os dois.
— Caldo? — Dominic questiona, seu corpo traindo a compostura habitual por razões que ele ainda não compreende inteiramente.
— Solicitei especialmente para você. — Vivienne responde, com suavidade, observando a vulnerabilidade momentânea atravessar aquela máscara de indiferença, enquanto toca sua testa com delicadeza. — A febre ainda persiste. Você precisa se alimentar adequadamente. — Conclui, seus dedos deslizando pela face dele num gesto aparentemente casual, um gesto simples, quase insignificante em sua brevidade, mas que atinge Dominic com força. O toque dela, tão suave contra sua pele febril, desperta nele sensações há muito adormecidas, fazendo seu coração acelerar de uma forma que ele não consegue e talvez não queira controlar.
Dominic permanece em silêncio, como se o cuidado dela tivesse atingido algo profundamente enterrado. Quando Silvia retorna da cozinha, depositando o caldo sobre a mesa, Vivienne oferece um sorriso educado, acompanhado de um olhar que pede sutilmente por privacidade. A governanta, sempre atenta, compreende imediatamente e se retira sem dizer uma palavra.
Percebendo Dominic ainda imóvel, como se aquela demonstração de cuidado tivesse penetrado suas defesas mais profundas, ela se inclina sobre a caçarola, servindo-o com uma dedicação tranquila que parece desarmá-lo ainda mais.
— Bom apetite. — Deseja, retornando à sua refeição. Ainda assim, percebe o olhar de Dominic desviando continuamente entre o prato à sua frente e ela. — Algo o perturba? — Pergunta, hesitante, sua preocupação refletida na doçura de sua voz.
— Não, está tudo bem. — Responde, oferecendo um sorriso que não consegue mascarar completamente a tempestade interna que o consome. Cada gesto de cuidado dela é uma faca de dois gumes, que, ao mesmo tempo que o desarma, o força a encarar sentimentos esquecidos há muito tempo. Ele tenta desviar os pensamentos, mas a fragilidade daquela gentileza é desconcertante. Desde a partida precoce de seus pais e a rotina tóxica de brigas com o avô, ele havia erguido muralhas tão altas que esqueceu a sensação de ser cuidado. E agora, Vivienne, com gestos aparentemente simples, ameaça demolir todas suas defesas cuidadosamente construídas. — Agradeço. — Murmura, baixinho, a voz traindo uma vulnerabilidade que ele mal reconhece em si.

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